sexta-feira, 29/03/2024
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OMS inicia neste dia 10/10 a segunda maior campanha de vacinação do mundo contra o cólera

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Da ONU News
Famílias rohingyas no acampamento improvisado de Balukhali, em Cox's Bazar, Bangladesh

Famílias rohingyas no acampamento improvisado de Balukhali, em Cox’s Bazar, Bangladesh 

Anthony Burke/ONU

 

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e parceiros  realizam a partir desta terça-feira (10) , em Bangladesh, a segunda maior campanha do mundo de vacinação oral contra o cólera. A ação será realizada no campo de refugiados rohingya na localidade de Cox’s Bazar. A informação é da ONU News.

Segundo a OMS, centenas de agentes de saúde e voluntários foram mobilizados para entregar 900 mil doses da vacina OCV a mais de 650 mil homens, mulheres e crianças que estão vivendo em acampamentos superlotados na região, com dificuldades de acesso à água limpa, saneamento e higiene.

Desde o fim de agosto, mais de meio milhão de pessoas chegaram a Bangladesh fugindo do estado de Rakhine, em Mianmar. Segundo o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) cerca de 60% dos refugiados são crianças.

A menos de 24 horas do início da campanha, o diretor regional de emergência da Organização Mundial da Saúde para o Sudeste Asiático, Roderico Ofrin, disse que os riscos foram avaliados e que a ação “provavelmente salvará muitas vidas”. Ele afirmou ser essencial que a campanha de vacinação seja acompanhada de um aumento nos serviços de água e saneamento.

Segundo Ofrin, a imunização em massa fornecerá proteção vital contra o cólera, especialmente nos próximos seis meses, mas a vacinação por si só não é substituto para água limpa, saneamento adequado e boa higiene. A ONU calcula que serão necessários US$ 434 milhões para ajudar os refugiados da minoria rohingya nos próximos meses.

O apoio técnico e operacional da OMS à campanha de vacinação é parte de sua resposta à emergência. Desde agosto, a agência ajudou a planejar e implementar campanhas contra sarampo, rubéola e pólio que protegeram mais de 100 mil crianças.

Risco real, ação urgente

Uma avaliação dos riscos de saúde no local foi realizada por autoridades nacionais com o apoio de agências das Nações Unidas, como a OMS, o Unicef, a Agência da ONU para Migrações (OIM), e a ONG Médicos Sem Fronteiras (MsF). A conclusão foi que o risco de um surto de cólera é “real e a necessidade de agir é urgente”.

A Agência da ONU para Refugiados (Acnur), já está atuando com autoridades de Bangladesh para conter surtos de diarreia nos acampamentos onde estão os rohingyas que fugiram de Mianmar.

Tragédia

Uma outra agência da ONU, a OIM, chamou a atenção para uma tragédia que atingiu mais refugiados rohingya na noite de domingo, quando pelo menos 13 pessoas, a maioria crianças, se afogaram quando o barco de pesca em que estavam a caminho de Bangladesh virou numa tempestade.

A guarda-costeira bengalesa encontrou os corpos de sete meninos com idades entre três e 10 anos e quatro meninas com idades entre dois e três. Os corpos de dois adultos, um homem e uma mulher, também foram encontrados.

Os sobreviventes disseram a equipes da OIM que havia cerca de 60 refugiados na embarcação quando ela deixou Mianmar à noite. Funcionários da agência da ONU conversaram com sobreviventes, entre eles o menino Arafat, de oito anos. Em choque, ele contou que perdeu a família inteira no acidente: a mãe, o pai, uma irmã e um irmão mais novo.

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