Início Opinião  A Venezuela caiu. Cuidem-se os demais para não caírem também! 

 A Venezuela caiu. Cuidem-se os demais para não caírem também! 

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Opinião

Embora todo o mundo esperasse para qualquer instante – especialmente após o bloqueio marítimo e aéreo no Mar do Caribe, na área equatorial do Oceano Pacífico e ao tráfego aéreo sobre o território nacional, os ataques dos Estados Unidos sobre a Venezuela colocaram toda a humanidade em estado de alerta. Tivemos sábado e domingo de incertezas, não em relação à prisão do governante venezuelano Nicolás Maduro e sua mulher, mas sobre o que se seguirá como medidas de normalização do vizinho país que, pela lógica, deverão ocorrer nos próximos dias, semanas ou meses, talvez.

      O ocorrido provoca reações cautelosas do mundo todo. Afinal, os EUA constituem a maior potência econômica e bélica do planeta. Rússia e China, parceiros da Venezuela protestaram, mas não parece terem disposição para sair do terreno diplomático. O mesmo ocorre com os países da região, que devem estar mais preocupados com o próprio território do que com a sorte da Venezuela e dos venezuelanos.  O ácido Donald Trump já sugeriu ataques à Colômbia, México, Cuba e outras nações latino-americanas com governos de orientação à esquerda e/ou tomadas total ou parcialmente pelo narcotráfico. Todos temem que isso venha a ocorrer, especialmente depois de ver que as bravatas e ameaças de Maduro em nada mudaram o destino da Venezuela nem o livraram da derrubada do poder, da prisão e dos processos que responderá em território norte-americano, onde chega-se a propor pena de morte para seus delitos.

      A Venezuela vive uma situação singular. Até os anos 60 foi o mais rico dos países latino americanos. Depois que caiu nas garras do caricato coronel Hugo Chávez, sua economia foi levada à bancarrota e o povo passa fome ao mesmo tempo em que os aliados do governo vivem faustosamente. Com a queda de Nicolás Maduro – que sucedeu Chávez na sua morte – tudo deve mudar.

       Os líderes esquerdistas da região foram ousados e imprevidentes ao criar, em 1990, o Foro de São Paulo, fundado entre outros pelo cubano Fidel Castro e pelo brasileiro Lula da Silva. A ideia era unificar os países da área e fundar em território latino-americano uma república comunista nos moldes da União Soviética. Ao levarem em consideração que, mesmo existindo desde 1917 e atuando como potência, os soviéticos se fragmentaram como instituição político-governamental. O resultado foi a inviabilização do projeto de Castro e Lula, que só serviu para ajudar nas eleições de candidatos de esquerda nos países sob essa influência.

      Mesmo tenha sido um dos membros do Foro de SP mais bem sucedidos – afinal, já está no terceiro mandato presidencial e foi peça fundamental para a eleição e reeleição de Dilma Rousseff, Lula enfrenta hoje grandes dificuldades políticas e econômicas, além do peso dos 80 anos de idade.

      O ocorrido na Venezuela mexe com a política global. Inteligentemente, Lula protestou por Maduro, mas não agravou Trump, de quem também depende para acordos políticos e econômicos. Além de potência, os EUA estão entre os maiores parceiros comerciais do Brasil e a perda ou alteração profunda desse mercado seria gravosa.

       Apesar dos seus laços próximos de Maduro, aguarda-se que Lula compreenda que tentar ajudá-lo a essa altura dos acontecimentos pode ser uma empreitada extremamente perigosa. O mais indicado é que o Brasil recorra à sua tradicional neutralidade nos conflitos internacionais e só entre no território das disputas quando puder atuar pacífica e humanitariamente. Nosso País não pode correr o risco de “morrer abraçado” com Nicolás Maduro. Afinal, todo o mundo sabe o que pesa sobre as costas do ex-presidente venezuelano. Esta segunda-feira, o Ministério Público de Nova York o está acusando de crimes como tráfico de milhares de toneladas de drogas, tráfico de armas e outros crimes. Na própria Venezuela o denunciam como fraudador das eleições em que participou e declarou-se vencedor. Parceria dessa ordem é um perigo.

      Também é desejável que a diplomacia e o governo brasileiro busquem a melhor forma de acordo com os Estados Unidos tanto na área econômica quanto na política e dos direitos humanos. Só entendimentos bem costurados poderão preservar a amizade de mais de dois séculos Brasil-EUA. Com as relações bem azeitadas podemos até contar com a ajuda norte-americana para o combate ao crime organizado que hoje eclipsa considerável parcela da economia nacional e, se não devidamente cuidada, ainda poderão levar o Brasil ao mesmo caminho em que caiu a Venezuela.

        Somos partidários da paz em todos os aspectos. Incomoda-nos a política intervencionista, mesmo quando ela se faz necssária. Queremos que todas as nações pratiquem bons costumes e civilidade em relação às demais. Que as ideologias, embora existam, n~]ao sejam a determinante do comportamento dos dirigentes, políticos e autoridades. Antes dedogmas e princípios gerais, todosa eles têm as leis de seu país para cumprir. Limitanto-se a isso, garantirão acoexistência pacífica, o bem-estar e o desenvolvimento. Pensem nisso…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

Dirceu Cardoso Gonçalves – tenente-PM

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