
Redação
Os congestionamentos de caminhões registrados em Miritituba (PA) nos últimos dias não são um acidente de percurso nem um problema pontual. São o retrato fiel de um colapso logístico anunciado, resultado direto de anos de omissão, falta de planejamento e ausência de investimentos estruturantes em um dos principais corredores de escoamento da produção agrícola brasileira.
Os gargalos no acesso aos portos de Miritituba são amplamente conhecidos pelo poder público e pelo setor produtivo há mais de uma década. Ainda assim, o sistema segue operando no limite — ou além dele —, vulnerável a qualquer pico de demanda. O cenário atual apenas antecipa um problema muito maior que já está contratado.
Em 2026, a estimativa é de que 18,5 milhões de toneladas de grãos passem por esse corredor logístico. A projeção para 2035 é ainda mais alarmante: 40 milhões de toneladas. Manter essa estrutura praticamente inalterada diante de um crescimento dessa magnitude é ignorar dados objetivos e empurrar o país para um colapso logístico com impactos diretos na competitividade do agronegócio, no custo do frete e no preço final dos alimentos.
Sem novos acessos rodoviários, sem a ampliação real da capacidade operacional dos portos e, principalmente, sem a implantação da Ferrogrão, torna-se inviável sustentar esse crescimento de forma eficiente, segura e ambientalmente responsável. A Ferrogrão deixou de ser uma alternativa — ela se tornou uma necessidade estratégica.
O caos observado hoje em Miritituba não é exceção. É um aviso claro de que, sem decisões estruturais imediatas, o Brasil seguirá pagando caro
pela inércia logística.
Com informações Sub Ten Cruz
Foto:reprodução







