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Humanidade sem trabalho é solução genial ou ameaça social? Elon Musk quer um mundo sem pobresa e sem empregos

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Musk defende o conceito de “abundância sustentável”, um futuro em que robôs e IA dariam conta de todos os problemas e serviços da humanidade

Vitoria Lopes Gomez

(Imagem: Frederic Legrand – COMEO/Shutterstock)

Elon Musk tem planos ambiciosos para o futuro. O magnata da tecnologia imagina um cenário em que robôs e inteligência artificial sejam responsáveis pelos serviços e por resolver os problemas da humanidade, gerando riqueza e prosperidade para todos. Isso também eliminaria a escassez e a necessidade de trabalho humano.

O bilionário chama essa visão de “abundância sustentável”, um conceito que passou a ocupar posição central em seus discursos, publicações no X e estratégias empresariais nos últimos meses:

  • A Tesla, por exemplo, deixou de focar em carros elétricos e agora aposta no desenvolvimento de robôs humanoides, como o projeto Optimus;
  • Já a SpaceX fala em infraestrutura tecnológica no espaço, incluindo data centers no espaço e bases autossuficientes na Lua;
  • A xAI trabalha em modelos que, segundo Musk, terão papel central nessa transformação.

O bilionário defende essa visão ferrenhamente. Durante uma reunião com acionistas da Tesla, em novembro, Musk afirmou que a combinação entre IA e robótica levará a humanidade a um novo patamar de produtividade.

O conceito também foi usado como argumento interno para decisões corporativas. A presidente do conselho da Tesla, Robyn Denholm, afirmou que a busca por abundância sustentável ajudou na aprovação de um pacote de remuneração trilionária para Musk.

A visão é uma mudança significativa no posicionamento público do executivo. Há cerca de uma década, ele alertava para os riscos existenciais de uma inteligência artificial fora de controle. Agora, passou a enfatizar o potencial da tecnologia como motor de prosperidade ilimitada. Em publicações recentes, Elon Musk afirmou que o crescimento econômico poderá atingir taxas de dois dígitos em pouco tempo e sugeriu que a pobreza global poderia ser eliminada com o avanço de robôs e sistemas autônomos.

Em um podcast, ele chegou a declarar que, nesse futuro ideal, todos teriam uma “renda alta universal” e que poupar para a aposentadoria deixaria de fazer sentido. A ideia é que máquinas produzam bens, serviços e até novos robôs em escala suficiente para atender todas as demandas humanas.

Visão de Elon Musk enfrenta críticas

A viabilidade e as implicações sociais desse futuro ideal enfrentam críticas.

Especialistas consultados pelo The New York Times apontam para uma concentração de capital nas mãos das empresas que controlam os robôs e as IAs, o que ampliaria desigualdades. Para o professor Alex Imas, da Universidade de Chicago, a proposta não esclarece como a riqueza gerada seria distribuída nem como funcionaria a economia em um cenário sem trabalho remunerado.

O senador estadunidense Bernie Sanders também levantou dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal de um sistema em que a população não trabalha. Segundo ele, sem renda e impostos tradicionais, não está claro como governos financiariam políticas públicas e programas sociais.

Além das críticas conceituais, há questionamentos sobre o estágio atual das tecnologias envolvidas. Os robôs humanoides apresentados pela Tesla ainda demonstram limitações operacionais, e os projetos de data centers no espaço permanecem no campo das ideias.

Ainda assim, Musk tem defendido esse discurso. Em dezembro, ele chegou a ajustar o slogan de sua visão para “abundância incrível” (em vez de “abundância sustentável”), argumentando que a nova expressão era mais inspiradora.