

Depois de muita luta na justiça e no hospital, o idoso João Luiz, de 70 anos, conseguiu receber a dose da polilaminina em Curitiba (PR). – Foto: reprodução/Instagram
Foi uma longa batalha na justiça e no hospital, mas o seu João Luiz Miqueline, um idoso de 70 anos, conseguiu receber a dose da polilaminina em Curitiba (PR), nesta terça, 3 de março. Ele perdeu os movimentos do corpo depois de levar uma queda de quase 4 metros de altura, há dois meses, quando ficou paraplégico.
A família, que já tinha ouvido falar da polilaminina na imprensa, correu para que o seu João Luiz tivesse acesso ao remédio, dentro da janela biológica ideal indicada pelos pesquisadores que é de até 72 horas, chegando a 90 dias.
“Quando a filha dele chegou até nós, o cenário era difícil. Ele já estava de alta, fora do hospital, e o caminho jurídico parecia impossível. Foram quase 60 dias de luta. Judicializações negadas. Decisões postergadas. Juiz, desembargador… portas fechadas”, contou na legenda do vídeo o Mitter Mayer, que coordena o grupo de trabalho da polilaminina no Espírito Santo, com supervisão da Dra. Tatiana Sampaio, a bióloga da UFRJ criadora do tratamento.
Justiça negou, Anvisa liberou
Mitter explicou que na época em que a família pediu o remédio pela primeira vez ainda era na época da judicialização.
“[A família] Judicializou e o juiz da primeira instância disse que não era com ele. Despachou para outro juiz e o outro juiz também disse que não era com ele. Devolveu para o outro. O outro negou. Depois foi para a segunda instância, para o desembargador. Aí [o judiciário] entrou recesso, entrou no plantão, ninguém julgava e por final eles foram lá e negaram”, contou Mitter em entrevista ao Só Notícia Boa.
O Seu João Luiz só conseguiu acesso ao remédio quando a Anvisa pacificou a questão do uso administrativo. “A gente conseguiu dar entrada direto, mesmo com a decisão negativa da justiça e a Anvisa foi lá e autorizou”, lembrou Mitter.
O médico resistiu
Aí vieram os próximos problemas falta de vagas no hospital e o médico que não conhecia a polilaminina.
“Não tinha vaga no hospital. O médico que inicialmente não queria assinar, depois assinou. Ele não conhecia o medicamento. Só foi depois assinar depois que viu repercussão na mídia de que as pessoas estavam melhorando. Foi uma batalha, a mais difícil até agora”, contou Mitter.
Mas, felizmente deu tudo certo e o seu João Luiz conseguiu receber a dose da polilaminina 80 dias depois do acidente. Ele foi o paciente que mais tempo aguardou sem conseguir autorização.
E, mesmo assim, nunca perdeu a esperança e só sabia agradecer: “Eu tenho fé em Deus que tudo vai dar certo”, disse.
“Impossível não se emocionar”
E a emoção do seu João contagiou:
“Hoje, no pós-procedimento, ele segurando minha mão, me agradecendo, com aquele sorriso que diz mais do que qualquer palavra… é impossível não se emocionar”, escreveu o Mitter na legenda do vídeo no Instagram.
E ele lembrou:“A gente fez o que a Dra. Tatiana sempre diz: fez chover”, concluiu.







