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VÍDEO: Sétimo dia de missão da Artemis 2 no espaço tem manobras na espaçonave e folga para os astronautas; saiba como os astronautas se alimentam

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O motor da Orion será acionado novamente para a primeira de três manobras de correção de trajetória de retorno

Bruno Capozzi

Lua vista pela janela da Cápsula Orion, da Missão Artemis 2
Lua vista pela janela da Cápsula Orion, da Missão Artemis 2 – Foto: NASA

Artemis 2 alcançou ponto mais próximo da Lua em silêncio

Por alguns minutos, a cápsula Orion ficou sem contato com a Terra – o que já era esperado. Entre 19h43 e 20h25 (horário de Brasília), os astronautas ficaram sem comunicação com a NASA. Isso aconteceu porque a espaçonave estava passando atrás da Lua – o que bloqueia os sinais de rádio necessários para manter o contato com a Terra.

VÍDEO REPRODUÇÃO

Durante esse período, a sonda Orion fez a maior aproximação da Lua, passando a uma altitude estimada de 6.546 km, o que, segundo a NASA, aconteceu às 20h. Apenas dois minutos depois, às 20h02, os astronautas alcançaram o ponto mais longe da Terra em toda a missão, a 406.800 km – a maior distância do planeta já atingida por qualquer ser humano. O recorde já tinha sido quebrado durante a tarde, durante o trajeto. O quarteto superou a marca de 400 mil km atingido em 1970 pela missão Apollo 13.

Astronautas assistem a eclipse solar “exclusivo”

Apenas quatro seres humanos acompanharam um eclipse solar total ontem: Jeremy Hansen, Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover.

O quarteto de astronautas acompanhou o fenômeno diretamente do espaço profundo, durante o sobrevoo no lado oculto da Lua.

O alinhamento de Sol, Lua e Orion permitiu aos tripulantes um vislumbre de um eclipse total com características incomuns.

Durante o fenômeno, foi possível visualizar a coroa solar, camada externa do Sol que não costuma ser vista por conta do brilho intenso da estrela.

Wiseman descreveu o eclipse como “uma experiência absolutamente espetacular e magnífica”.

“Pôr da Terra” da “nascer da Terra”

Ao sobrevoarem o lado oculto da Lua, a tripulação fotografou e descreveu características do terreno, incluindo crateras de impacto, antigos fluxos de lava, rachaduras e cristas na superfície, formadas à medida que a Lua evoluía lentamente ao longo do tempo. Os astronautas também observaram diferenças de cor, brilho e textura, que fornecem pistas que ajudam os cientistas a entender a composição e a história da superfície lunar.

“A tripulação testemunhou um “pôr da Terra” — o momento em que a Terra desapareceu abaixo do horizonte lunar — quando a Orion passou por trás da Lua, e um “nascer da Terra”, quando a espaçonave emergiu da borda oposta da Lua” – disse a NASA.

Qual é a cor da Lua? Visão da Artemis 2 surpreende

Conforme a tripulação a bordo da cápsula Orion se aproximava da Lua, a visão fica cada vez mais impressionante. Em contato com o Centro de Controle da NASA, a especialista da missão, Christina Koch, relatou que nosso satélite natural parecia cada vez mais marrom.

A cor “real” da Lua está longe do branco brilhante que vemos no céu. Mas também não é completamente marrom. Trata-se, na verdade, de uma combinação de várias tonalidades, dependendo da composição mineral da região vista.

Asteroides na Lua!

Os astronautas relataram ter visto clarões de impacto – brilhos visíveis causados ​​por rochas que atingem a Lua. Essas colisões são comuns por lá porque nosso satélite natural não possui uma atmosfera como a da Terra para protegê-la de detritos espaciais. Estudar esses momentos pode ajudar a Ciência a entender melhor os eventos para reconstruir como a Lua evoluiu ao longo de milhões e milhões de anos.

“Durante o eclipse, a tripulação teve a oportunidade de observar alguns fenômenos raramente vistos, visíveis apenas em uma parte não iluminada da Lua. Eles relataram seis flashes de luz criados por meteoroides que impactaram a superfície lunar enquanto viajavam a milhares de quilômetros por hora” – disse o comunicado da NASA.

Os quatro astronautas da missão Artemis II — Jeremy Hansen, Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover — flutuam no interior da cápsula Orion durante uma transmissão de vídeo. Koch segura um microfone e Glover acena para a câmera, enquanto os outros tripulantes fazem sinal de "joinha". O ambiente mostra o interior tecnológico da nave, com redes de carga e equipamentos compactos ao fundo
Conexão Terra-Lua: Jeremy Hansen, Reid Wiseman, Christina Koch e Victor Glover respondem a perguntas da imprensa durante o primeiro evento oficial de transmissão da missão Artemis 2 – Divulgação/NASA

Dia de lembranças e homenagens

Quando a nave fazia o sobrevoo lunar, a tripulação pediu à NASA que uma cratera da Lua fosse chamada de “Carroll”, em homenagem à esposa do Reid Wiseman – que morreu de câncer em 2020. “O nome dela era Carroll, esposa de Reid, mãe de Katie e Ellie”, disse o comandante Hansen enquanto os astronautas a bordo enxugavam as lágrimas. “É um ponto brilhante na Lua” – completou. As filhas e a família de Wiseman estavam presentes na sala de controle da missão durante a passagem pela Lua.

Ainda na segunda-feira, a tripulação foi despertada pela manhã com uma mensagem especial gravada pelo astronauta veterano da NASA Jim Lovell, falecido no ano passado. Ele participou das missões Apollo 8, a primeira a atingir o lado oculto da Lua, e também da 13, antiga recordista de distância da Terra.

Sétimo dia de Artemis

A Orion sairá da esfera de influência lunar na manhã do sétimo dia do voo. Antes que a tripulação da Artemis 2 se afaste muito da Lua, cientistas em solo terão a oportunidade de conversar com a tripulação.

A tripulação discutirá suas observações com a equipe de ciências lunares mais tarde, em uma conversa que será transmitida ao vivo pela NASA.

Na segunda metade do dia, o motor da Orion será acionado novamente para a primeira de três manobras de correção de trajetória de retorno, que ajustarão o caminho da Orion para casa.

O restante do dia será, em grande parte, livre para a tripulação, dando ao grupo a oportunidade de descansar antes de retomarem suas tarefas finais antes do retorno à Terra.

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Os astronautas têm previsão de chegar à Terra na sexta-feira, com a missão terminando em um pouso no Oceano Pacífico, próximo a San Diego, nos EUA.