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Resultados de pílula para câncer emocionam médicos em congresso de oncologia

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Médicos choraram quando números de estudo sobre comprimido para câncer foram apresentados na American Society of Clinical Oncology

Olhar Digital

Mulher idosa segurando cápsula de remédio com uma mão e copo de água com outra
Estudo sobre pílula para câncer trouxe resultados promissores – Imagem: SeventyFour/Shutterstock

Médicos e pesquisadores que estavam na sessão plenária da American Society of Clinical Oncology (ASCO) se levantaram quando os números do estudo RASolute 302 apareceram na tela. Depois, vieram aplausos e até lágrimas.

Os resultados eram da fase 3 do estudo sobre daraxonrasib, pílula para câncer desenvolvida pela empresa americana Revolution Medicines. Os números foram apresentados na segunda-feira (1º) no evento, considerado o maior e mais influente congresso de oncologia clínica do mundo, em Chicago (EUA).

Resultados de pílula para câncer tiveram ‘aplauso em pé’ no maior congresso de oncologia do mundo

O estudo RASolute 302 fez um ensaio clínico randomizado de fase 3. Os pesquisadores dividiram 500 pacientes em dois grupos por sorteio. Um grupo tomou a pílula para câncer e o outro continuou na quimioterapia convencional.

Médicos e pesquisadores se emocionaram ao ver os seguintes resultados:

  • No grupo de pacientes com a mutação RAS G12 (a mais comum no câncer de pâncreas), a média de sobrevida foi de 13,2 meses entre quem tomou o comprimido. Já entre quem fez quimioterapia, a média foi de 6,6 meses;
  • O risco de morte pela doença caiu 60%;
  • Entre quem tomou o comprimido, o tempo até a doença voltar a avançar foi 7,3 meses. Entre quem fez quimioterapia, foi 3,5 meses;
  • Mais de 30% dos pacientes que tomaram a pílula tiveram redução mensurável do tumor. Isso aconteceu com 11,2% dos pacientes no grupo que fez quimioterapia;
  • Os resultados foram praticamente idênticos quando se analisou o grupo total de pacientes, incluindo os que não tinham mutação RAS G12 identificada;
  • 1,2% dos pacientes que tomaram a pílula interromperam o tratamento por conta de efeitos colaterais, enquanto entre os que fizeram quimioterapia essa taxa foi de 11,2%.

Estados UnidosSaúdeRevolution MedicinesStephen StefaniBrasil

Ilustração de células cancerosas humanas
O câncer de pâncreas é um dos mais difíceis de tratar – e um dos que mais mata – Imagem: Anusorn Nakdee/Shutterstock

“Raramente celebramos um medicamento com esse perfil: baixa toxicidade, impacto real em sobrevida e um mecanismo inédito para essa doença”, disse Stephen Stefani, oncologista da Americas Health Foundationao G1. Ele estava na sessão plenária quando os resultados do comprimido foram apresentados.

“Eram mais de 500 pacientes com câncer de pâncreas avançado, já sem resposta à quimioterapia, avaliados no desenho mais rigoroso da pesquisa clínica – e com sobrevida dobrada em relação ao padrão anterior”, acrescentou o oncologista. “O aplauso em pé foi merecido.”

Como esses resultados foram obtidos num ensaio clínico randomizado de fase 3, são considerados finais. Publicada no Journal of Clinical Oncology, a conclusão foi: o daraxonrasib deve se tornar o novo padrão de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático em segunda linha.

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A Revolution Medicines informou que vai submeter os dados à Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) num pedido por aprovação regulatória.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisaria conduzir seu processo de aprovação. E a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), voltada para o setor privado, teria que publicar uma diretriz de utilização técnica para obrigar os planos de saúde a cobrir o novo medicamento. Por isso, não há previsão de quando o acesso ao comprimido vai chegar ao Brasil. Nem se vai chegar (considerando o curto prazo, pelo menos).