
O consumo interno deve saltar de 23,27 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 27,04 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 16,23%.
Mato Grosso deve passar por uma mudança histórica no mercado do milho na safra 2026/27. Pela primeira vez, o consumo interno do cereal deve superar o volume destinado às exportações, segundo projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgadas nesta segunda-feira (31).

A mudança está diretamente relacionada ao avanço da industrialização no estado, especialmente à expansão da produção de etanol de milho, que vem aumentando a demanda pelo cereal produzido em Mato Grosso.
De acordo com o relatório de Oferta e Demanda do Imea, o consumo interno deve saltar de 23,27 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 27,04 milhões de toneladas em 2026/27, crescimento de 16,23%.
No mesmo período, as exportações devem seguir na direção contrária. Os embarques externos são estimados em 17,50 milhões de toneladas, contra 24,10 milhões de toneladas na temporada atual. A queda projetada é de 27,39%.
Com esses movimentos, o mercado interno deverá absorver mais milho do que o volume enviado ao exterior pela primeira vez no estado.
Etanol de milho puxa demanda
O avanço da indústria de etanol é um dos principais fatores por trás dessa transformação no mercado mato-grossense. A produção do biocombustível no estado deve crescer mais de 16% na próxima safra, impulsionada principalmente pelo etanol produzido a partir do milho e pela entrada de novas usinas.
Segundo o panorama da produção de etanol, a produção total deve passar de 7,27 milhões de metros cúbicos na safra atual para 8,44 milhões de metros cúbicos no próximo ciclo.
O crescimento representa um avanço superior a 16% e reforça a posição de Mato Grosso como uma das principais forças nacionais na produção de etanol.
O milho é o principal motor dessa expansão. Na última safra, a produção de etanol de milho chegou a 6,18 bilhões de litros, alta próxima de 10% em relação ao período anterior.
A expectativa é de que o ritmo de crescimento aumente com a entrada em operação de duas novas usinas ainda neste ano, ampliando a capacidade de processamento do cereal dentro do próprio estado.
Além de aumentar a demanda por milho, a expansão da indústria também movimenta a economia mato-grossense. A cadeia produtiva do etanol já gera mais de 12 mil empregos diretos e continua atraindo investimentos voltados à industrialização do agronegócio.

Produção menor aumenta pressão sobre oferta
A mudança na demanda ocorre justamente em um momento em que Mato Grosso deve produzir menos milho na próxima temporada.
Para a safra 2026/27, o Imea projeta inicialmente uma produção de 53,68 milhões de toneladas, queda de 7,50% em relação às 58,04 milhões de toneladas estimadas para a safra 2025/26, que terminou com novo recorde.
A área plantada deve crescer 0,59%, chegando a 7,48 milhões de hectares. Porém, a produtividade projetada é de 119,64 sacas por hectare, 8,05% abaixo das 130,11 sacas por hectare alcançadas na temporada atual.
A possibilidade de atuação do El Niño é um dos fatores de preocupação. O fenômeno pode atrasar o plantio da soja e reduzir a janela disponível para a semeadura do milho segunda safra.
Estoques devem ficar mais enxutos
A combinação entre menor produção, aumento do consumo interno e redução das exportações também deve provocar uma diminuição dos estoques de milho no estado.
O Imea estima que os estoques finais da safra 2026/27 fiquem em 285,08 mil toneladas, uma redução de 55,77% em relação ao volume projetado para o encerramento da safra atual.
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