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Você sabe o que é um Hospital de Transição?

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Imagemilustrativa/divulgação

Entenda o funcionamento e saiba como ele poderia ajudar a evitar o caos na saúde provocado pelo novo coronavírus

                O Brasil sofre com o avanço do novo coronavírus. Nas últimas semanas, foram várias as regiões do país que sofreram com a falta – ou com o temor da falta – de leitos de UTI nos hospitais. Em Minas Gerais, a taxa de ocupação ultrapassou os 60%, segundo a Secretaria Estadual de Saúde. Na Grande São Paulo, chegou a 90%, de acordo com o Governo do estado. No Amazonas, um colapso, com o número divulgado pela Secretaria de Saúde do estado atingindo os 96%. Mas Carlos Costa, Presidente da Rede Paulo de Tarso de Cuidados Continuados e Integrados, destaca que a situação poderia ser diferente se os leitos de todas as instituições de saúde do país fossem usados adequadamente.

“Hoje, no Brasil, nós temos as Unidades Básicas de Saúde, as Unidades de Pronto Atendimento, os Hospitais de Transição e os Especializados, além dos emergenciais. Se cada um fizesse seu papel, as UTIs das instituições que atendem casos de Covid-19 poderiam ser melhor aproveitadas”, pondera Carlos. Como não são todos que entendem a funcionalidade de cada instituição, o especialista explica, dando destaque aos Hospitais de Transição, que talvez sejam os menos conhecidos pela população.

UBS – Unidade Básica de Saúde

As UBS são a porta de entrada ao Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o governo, o objetivo delas é atender até 80% dos problemas de saúde da população. Nelas, são oferecidos atendimentos básicos e gratuitos como consultas médicas, vacinas e coletas de exames laboratoriais.

UPA – Unidade de Pronto Atendimento

Se o paciente exigir uma atenção maior, é o caso de levá-lo às Unidades de Pronto Atendimento. Nelas são recebidos atendimentos de média complexidade. As UPAS funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana, e atendem urgências pediátricas, clínicas e odontológicas.

Hospitais especializados

Os Hospitais Especializados são aqueles que, como o nome diz, oferecem um serviço personalizado em uma determinada área. Uns são voltados a problemas renais, outros aos olhos, e assim por diante. Eles oferecem todo o atendimento, desde consulta médica a cirurgia, para uma determinada parte do corpo.

Hospitais emergenciais ou gerais

São aqueles que recebem todos os casos, que contam com plantonistas de todas as áreas e, principalmente, que lidam com pacientes de maior complexidade. São neles que a maioria dos casos de coronavírus está sendo tratada. Consequentemente, são eles que sofrem com problemas de falta de leito.

Hospitais de Transição

Como o nome remete, o Hospital de Transição é aquele para onde o paciente em recuperação vai antes de ir para a casa. Eles são indicados para as pessoas que estiveram (ou estão) internadas por um tempo, que ainda precisam de cuidados essenciais, mas não demandam intervenções de alta complexidade e terapia intensiva. Também aparecem como boa opção para pacientes crônicos ou com doenças degenerativas, que requerem tratamento especial e cuidados prolongados que visem a reabilitação, readaptação e reinserção social, garantindo maior autonomia e uma melhor qualidade de vida.

Carlos explica que os hospitais de transição contam com equipes médicas e multiprofissionais treinados, taxas reduzidas de doenças infecciosas, sólidas medidas de segurança assistenciais e tudo aquilo que um paciente se recuperando de Covid-19, por exemplo, precisa. Basta a transferência para uma unidade de transição para que aquele leito, até então ocupado no hospital geral, possa servir a alguém em fase aguda de tratamento, com necessidade de maior suporte tecnológico, diagnóstico, cirúrgico e monitoramento médico intensivo.

O profissional da Rede Paulo de Tarso destaca que os hospitais de transição podem ajudar – e muito – em casos de tragédias envolvendo um número maior de pessoas. “Existe atendimento para todos. Falta organizar isso. Se a quantidade de hospitais de transição fosse maior, teríamos mais médicos e leitos disponíveis para as vítimas do novo coronavírus. Em tempos em que se fala tanto em medicina personalizada e medicina preventiva, talvez esteja na hora de pensar mais em medicina integrada”, conclui.

 

*Carolina Capozzi / Da Casa9 Agência de Comunicação