Início Opinião Quem pensa ser poderoso é desprovido de inteligência, diz neurofilósofo

Quem pensa ser poderoso é desprovido de inteligência, diz neurofilósofo

128
0
Google search engine

“Como pode alguém se achar poderoso, se nem ao menos tem a fórmula da imortalidade” filósofo Fabiano de Abreu

Dizia o velho ditado que “ninguém é igual a ninguém”. Mas, vivemos em uma sociedade onde alguns daqueles que ocupam cargos de poder creem serem superiores aos demais, e com isso se consideram mais poderosos do que os demais. O neurocientista e filósofo Fabiano de Abreu, explica que, quem pensa ser poderoso não é inteligente, um conceito bem diferente do que a sociedade imagina em relação a inteligência e cargos que precisam de muito estudo para alcançar.

É uma forma comum da sociedade pensar que quem estudou muito para atingir um cargo de autoridade e inteligência são a mesma coisa, que quem ocupa um alto cargo na administração pública ou de qualquer setor no mercado de trabalho pode ser considerado inteligente por ter chegado neste patamar. Com isso, aquela pessoa que ocupa tal atividade acaba se achando superior ao outro, e com isso quer exercer uma relação de poder sobre os outros. No entanto, a ansiedade cada vez mais potencializada ao longo deste ano mostra que aqueles que se pensam melhores estão com as máscaras caindo. E com isso, mostrando que ser inteligente não quer dizer que é sinônimo de ter um ordenado maior do que o outro.

As pessoas estão isoladas ao longo deste ano, e com isso a mente tem sido ocupadas com conflitos e assim, abre-se espaço para expor pensamentos e ações que não condizem com o que é ético e ideal para se viver em sociedade. Fabiano de Abreu explica como as pessoas que se consideram donos do poder podem estar trocando os pés pelas mãos e se prejudicando com esse tipo de atitudes: “A falta do convívio com outras pessoas onde extrapola-se o uso do poder, aumentando a insegurança e a necessidade de mostrar o que em si mesmo não se aceita. O ego é a necessidade de ser visto, na falta de aceitação própria, na pendência consigo mesmo, o poder equipara-se à realidade abstrata de quem acredita sempre ter razão.”

O caso do desembargador que humilhou os guardas municipais em Santos, e muitos outros casos de abuso de poder, de autoridade, mostra, ressalta o neurocientista, “a falta de inteligência e insegurança de quem usa o cargo para sobressair perante o outro”. Daí ele acrescenta que a inteligência de uma pessoa não define pelo ocupação de um cargo que requer mais dificuldade para ser alcançado e como exercer este papel perante a sociedade: “Pode ter a formação que for, mas intelectual é quem tem conhecimento de determinado tema, como quem passou para juiz, por exemplo, e estudou conteúdos para tal. Isso não quer dizer que seja inteligente, porque pessoas inteligentes pensam na consequência e sabe o quanto é ignorante se achar melhor que o outro.” 

Fabiano explica que nem todas os inteligentes são apenas aqueles que fazem concurso público, e mostra como esta relação pode ser muito diferente do que as pessoas pensam: “Pessoas superdotadas, por exemplo, tem maior dificuldade em concursos públicos por não conseguir ter um foco em matérias que não interessam e nem em repetições, ou seja, nem sempre o esforçado é inteligente. Nos Estados Unidos por exemplo, onde buscam superdotados para suas universidades, quando acham um, já os incluem sem necessidade de prova para passar. Pois sabem que internamente se dedicarão e farão o melhor”. 

Por isso, ser inteligente, em primeiro lugar, é ser humilde, explica Fabiano: “Não interessa o cargo que tem, sua inteligência é demonstrada na humildade e a explicação é simples, pessoas inteligentes tendem a usar a humildade para aprender e entender o outro, assim como são observadoras a ponto de querer entender. Não costumam usar o poder pois sabe as consequências e porque são mais seguros de si, não apresentando vontade de usá-lo contra o outro”. 

E onde se encontram os mais inteligentes? Fabiano de Abreu enfatiza que essas pessoas “costumam ser mais filósofos, pensam mais na vida, não faria sentido pensar ter poder se a morte é igual para todos. Seria impossível um ser poderoso e mortal, a não ser que tivesse a fórmula da imortalidade ou, em vida, não teria tempo de consertar seus erros como consequência da arrogância”.

E para curar esta arrogância que muitos exercem na sociedade, o caminho é começar lá atrás, desde a escola, e trilhar um caminho diferente do que é feito até hoje: “Só vamos curar a arrogância, a prepotência, se investirmos em educação escolar e social e injetarmos filosofia no conhecimento de todos usando como a estatística, experiência, fatos passados, o conhecimento para que compreenda o presente e não cometam erros que leva um país a ser pior no futuro”.

“Como pode alguém se achar poderoso, se nem ao menos tem a fórmula da imortalidade”  

Estamos vivendo um momento em que a ansiedade está ativa, mal aproveitada e potencializada. Tudo isso é a fórmula perfeita para as máscaras caírem. A insegurança devido à incógnita econômica e do vírus, também por escapar das mãos a capacidade de resolver já que todos esses fatores não há poder que resolva. A falta do convívio onde extrapola-se o uso do poder, aumentando a insegurança e a necessidade de mostrar algo já que não há uma aceitação própria, um sentido de falta inconsciente.

O ego é a necessidade de ser visto, na falta de aceitação própria, na pendência consigo mesmo, e, junto a isso, o poder equipara-se à realidade abstrata de quem acredita sempre ter razão. O caso do desembargador e tantos outros casos de abuso de poder e de autoridade, por exemplo, mostram a falta de inteligência e insegurança de quem usa o cargo para sobressair perante o outro. Pode ter a formação acadêmica que for, mas intelectual é aquele que tem conhecimento de determinado tema, como quem passou para juiz, por exemplo, e estudou conteúdos para tal.  Mas é bom lembrar que isso não quer dizer que seja inteligente, afinal, pessoas astutas pensam na consequência e sabe o quanto é ignorante se achar melhor que o outro.

Pessoas com essa inteligência elevada, por exemplo, têm maior dificuldade para passar em concursos públicos por não conseguir ter um foco em matérias que não interessam e nem em repetições, ou seja, nem sempre o esforçado é inteligente. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde buscam superdotados para suas universidades, quando acham um, já os incluem sem necessidade de prova para passar. Pois sabem que internamente se dedicarão e farão o melhor.

Tudo isso são exemplos que explicam que não interessa o cargo que tem, sua sapiência é demonstrada na humildade e a explicação é simples: Os inteligentes tendem a usar a humildade para aprender e entender o outro, assim como são observadores a ponto de querer entender. Essas pessoas não costumam usar o poder pois sabe as consequências e porque são mais seguros de si, não apresentando vontade de usá-lo contra o outro.

Pessoas inteligentes costumam ser mais filósofos, afinal pensam mais na vida, e não faria sentido pensar ter poder se a morte é igual para todos. Seria impossível um ser poderoso e mortal, a não ser que tivesse a fórmula da imortalidade ou, em vida, não teria tempo de consertar seus erros como consequência da arrogância. Só vamos curar a arrogância e a prepotência se investirmos em educação escolar e social e injetarmos filosofia no conhecimento de todos usando como a estatística, experiência, fatos passados. São formas de conhecimento para que compreenda o presente e não cometam erros que leve um país a ser pior no futuro.

MF Press Global