

Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
A pesquisa, segundo o IDOR, também teve participação de profissionais da UFMG e da Fiocruz.
Segundo os pesquisadores, uma paciente de 45 anos, sem comorbidades, foi infectada duas vezes pelo coronavírus. A primeira infecção foi em 20 de maio e a segunda em 26 de outubro. Ambos os diagnósticos foram confirmados pelo teste RT-PCR. Após a segunda confirmação, a paciente foi submetida a um teste IGg, que constatou a presença de anticorpos desenvolvidos após a passagem da doença.
Para saber se era, de fato, uma reinfecção, os pesquisadores analisaram o genoma do corpo do vírus – coletados no primeiro e no segundo diagnóstico. Dessa forma, é possível identificar se o corpo genético do vírus se mantém – ou seja, é o mesmo que causou a primeira infecção – mas que ainda estava no corpo da paciente, mesmo sem mostrar sintomas durante o período que separou os dois testes.
Ao comparar e associar as duas amostras com outras sequências genéticas, os pesquisadores teriam identificado, então, que ambas as situações foram provocadas cada uma por um vírus de linhagem diferente. A análise então apontou que uma reinfecção foi por um corpo do vírus e a segunda, por um que sofreu mutação identificada como E484K, portanto, apresentando uma cepa diferente.
“Foi observada, na sequência genética do vírus presente no segundo episódio, a mutação E484K, que é uma mutação identificada originalmente na África do Sul e tem causado muita preocupação no meio médico, pois ela pode dificultar a ação de anticorpos contra o vírus. Esta mutação foi recentemente identificada no Rio de Janeiro, mas é a primeira vez, em todo o mundo, em que é associada a uma reinfecção por SARS-CoV-2”, disse Dr. Bruno Solano, pesquisador que comandou o estudo, em comunicado à imprensa.
“O estudo foi publicada de forma preliminar. Agora, é necessária a revisão de outros médicos e cientistas para atestar sua veracidade.”
Ainda segundo as informações do IDOR, o centro de pesquisa “segue investigando outros casos suspeitos de reinfecção para continuar monitorando a presença desta e eventuais outras variantes genéticas que possam estar circulando no país”.
A CNN Brasil procurou a Secretaria de Saúde da Bahia e o Ministério da Saúde, mas ainda não obteve resposta.







