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TRT/MT – Coordenador da Opan fala sobre povos indígenas e preservação ambiental

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TRT/MT

Crédito: Joezer Ponciano

Nesta terça, 21 de setembro, é celebrado o Dia da Árvore. A data traz uma reflexão a respeito do desmatamento e da importância de preservar a natureza. Os povos indígenas são parte importante dessa missão ambiental e garantem que as florestas fiquem em pé. Para falar sobre a importância dos povos originários na preservação ambiental, a Entrevista da Semana da Rádio TRT FM traz o coordenador geral da Operação Amazônia Nativa (Opan), Ivar Busatto.

A Entrevista da Semana vai ao ar toda segunda-feira, a partir das 8h, dentro do programa TRT Notícias. Para ouvir, basta sintonizar a frequência 104.3MHz (região metropolitana de Cuiabá) ou acessar o endereço www.trtfm.com.br. Também é possível ouvir em sites e aplicativos de rádio, como o Rádios, entre outros serviços semelhantes.

Ouça na Radioagência TRT

Confira os principais trechos da entrevista:

O que é a OPAN e como são as ações aqui em Mato Grosso?

A Opan é uma entidade que tem 52 anos. Foi fundada no sul do país para atender a uma necessidade muito clara de atuação direta junto às populações indígenas, essencialmente aqui do Mato Grosso. Porque era um momento importante no processo de atuação da missão Anchieta dos Jesuítas e era importante ter a presença de leigos que pudessem mudar um pouco o modelo de atuação junto às populações indígenas. Por conta dessa necessidade que os Jesuítas fundaram a organização.

Começamos então em 1970 aqui na região e depois alcançamos outras regiões, sobretudo o noroeste do estado e o norte do país.

Não tem como pensar em preservação e não incluir no debate os índios. O que podemos falar sobre eles?

Só aqui no Mato Grosso são 43 povos distintos, cada um com seu jeito, sua língua, sua cultura. Cada povo é distinto e tem peculiaridades, por isso a compreensão desse universo é muito importante. Uma comunicação de igual para igual com respeito para entender os seus anseios e necessidades.

No Brasil são mais de 300 povos. Até 1970 mais ou menos, a população indígena brasileira era a menor da história e não passava de 200 mil pessoas. A partir de uma mudança de atuação junto a essas populações e também com outras formas de assistências governamentais como direito à terra, saúde, espaço de educação, etc, foram aumentando, morrendo menos e hoje tem uma população nacional em torno de 1 milhão de pessoas. Em Mato Grosso, a população indígena está em torno de 50 mil pessoas.

Segundo o censo do IBGE, 14% do Brasil está em terras indígenas e 98%, ou seja, quase todas estão na Amazônia Legal. As terras indígenas são uma espécie de barreira para manter a floresta em pé. Qual a importância dos índios na preservação do meio ambiente?

As terras indígenas são muito mais preservadas quando estão sobre os domínios dos povos indígenas do que quando não estão. 14% das terras do Brasil são terras indígenas e estão sendo protegidas pelos guardiões originários das terras. Isso é de uma importância enorme. Tem gente que fala que é muita terra para pouco índio. Mas já ouvi indígena que diz “pensa bem, acho que são poucos índios para cuidar da terra para todo mundo”.  Isso é benefício para todo mundo, com água, ar, natureza, com clima para toda humanidade.

Durante as últimas semanas, milhares de indígenas foram a Brasília para protestar sobre a questão da demarcação das terras indígenas. Como a OPAN tem acompanhado essa discussão?

A Opan tem acompanhado essa discussão. Os indígenas nos buscam. As mulheres indígenas estão fazendo uma marcha espetacular com 5 mil mulheres representando 170 povos.

Esse processo do Marco Temporal pode parecer uma solução, mas não é. Porque pode ser negado legalmente, mas na prática os indígenas vão continuar lutando para ter direitos a esses espaços. O problema não estará resolvido. Não terão uma ferramenta legal, mas continuarão com a questão.

O marco temporal não resolve porque os índios dizem que não iniciaram a vida em 1988. Muitos povos foram retirados das áreas sem a menor consulta, forçados a negar sua identidade.

Temos acompanhado e dado apoio para que eles possam marcar presença. Marcar uma presença em Brasília é disputar um espaço dentro da legalidade e dentro da mais genuína intenção de querer resolver uma questão que vai, em contrapartida, resolver um problema nacional, vai apaziguar nacionalmente.

É preciso ter interesse em ir encaminhando a questão. Se forem se acumulando cada vez ficam piores. Importante falar que, sobretudo aqui em Mato Grosso, pouca coisa vai mudar. Não vai ter impacto negativo na maioria absoluta dos casos.

É preferível regularizar e ter paz no campo do que as questões ficarem permanentemente conflituosas, o que não resolve para ninguém.

Foto: Joezer Ponciano