Início MUNDO Céu escuro e chuva ácida: Como o ‘dia virou noite’ no Irã...

Céu escuro e chuva ácida: Como o ‘dia virou noite’ no Irã após ataques aéreos

68
0
Google search engine

Quatro pessoas morreram após ataques aéreos contra depósitos de combustível em Teerã, que mergulharam a capital do Irã numa escuridão atípica

Pedro Spadoni

Fumaça preta sobre Teerã, capital do Irã, após ataques dos EUA e de Israel
(Imagem: Reprodução/Redes sociais)

Olhar Digital

Ataques aéreos contra depósitos de combustível em Teerã deixaram quatro mortos e mergulharam a capital do Irã numa escuridão atípica entre domingo (08) e esta segunda-feira (09). O governo local emitiu um alerta urgente de chuva ácida após uma densa cortina de fumaça e gases tóxicos bloquear a luz solar e degradar drasticamente a qualidade do ar na região metropolitana.

Além da falta de visibilidade, a principal ameaça reside na química invisível: poluentes em suspensão que, ao interagirem com a umidade, transformam a água da chuva numa solução corrosiva para a saúde humana e o meio ambiente.

Acúmulo de fuligem e reações químicas transformam a poluição em ameaça corrosiva no Irã

O fenômeno que fez o dia parecer noite em Teerã funciona como uma barreira física opaca. O volume massivo de fuligem gerado pelos grandes incêndios criou uma camada tão espessa de partículas sólidas que os raios solares não conseguiam atingir o solo. Segundo o órgão ambiental do país, essa nuvem de poluição agiu como um filtro denso.

Essa poluição não é apenas visual, mas quimicamente complexa. Com a explosão dos tanques, toneladas de hidrocarbonetos (os componentes básicos do petróleo) foram lançadas ao ar. De acordo com agências estatais iranianas, a combustão desses materiais libera substâncias tóxicas que permanecem flutuando em altas altitudes. Isso satura a atmosfera com o chamado material particulado (micropartículas nocivas à respiração).

O perigo aumenta quando essa fumaça encontra nuvens. A chuva ácida ocorre quando gases tóxicos reagem com o vapor d’água na atmosfera. Segundo relatórios técnicos, essa precipitação é corrosiva, com potencial para causar lesões imediatas na pele e danos severos aos pulmões de quem for exposto diretamente à água contaminada.

A gravidade do cenário se amplifica pelo acúmulo de poluentes num intervalo de 48 horas. Os registros oficiais detalham que o ataque de domingo aos depósitos sucedeu a ofensiva de Washington (EUA) e Tel Aviv (Israel) ocorrida no dia anterior. Esse segundo golpe contra a infraestrutura de combustíveis sobrecarregou a atmosfera, que já estava saturada pelas emissões do bombardeio prévio à refinaria.

Diante do risco iminente, a orientação das autoridades iranianas é de isolamento preventivo. A recomendação oficial é que a população evite atividades ao ar livre e utilize máscaras de proteção respiratória ao sair de casa. O governo reforça que os moradores devem permanecer em locais fechados até que a fumaça se dissipe e o risco de contato com as partículas ácidas seja neutralizado.

(Essa matéria usou informações do G1.)