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Do bbc.com
Rebeldes hutis após o anúncio da morte do ex-presidente Saleh; Iêmen está mergulhado em uma guerra civil
     O Iêmen, um dos paÃses mais pobres do mundo árabe, tem sido devastado por uma guerra civil que opõe duas potências do Oriente Médio: de um lado, estão as forças oficiais do governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coalizão sunita liderada pela Arábia Saudita. Do outro, está a milÃcia rebelde huti, de xiitas, apoiada pelo Irã.
Desde março de 2015, mais de 8,6 mil pessoas foram mortas e 49 mil ficaram feridas, muitas em ataques aéreos liderados pela coalizão árabe.
Em meio à guerra, o paÃs sofre com bloqueios comerciais impostos pelos sunitas. Em decorrência disso, estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas não tenham conseguido receber a ajuda humanitária enviada via portos e aeroportos e criou a maior situação de fome da história recente.
A ONU classifica a situação no Iêmen como a pior crise humanitária do mundo – além da guerra civil, há milhões de pessoas morrendo de fome e uma epidemia de cólera em curso.
Nesta segunda-feira, Ali Abdullah Saleh, que governou o paÃs por 33 anos até ser deposto durante a Primavera Ãrabe em 2011, foi assassinado por rebeldes. Saleh era aliado dos hutis, mas foi considerado “traidor” por se dizer disposto a dialogar com a Arábia Saudita, que apoia o governo iemenita.
A BBC listou alguns pontos desse conflito para tentar entender melhor o que acontece nesse paÃs da PenÃnsula Arábica.

O ex-presidente Ali Abdullah Saleh foi assassinado pelos rebeldes hutis, acusado de traição – Imagem AFP
Por que essa guerra importa para o resto do mundo?
      O que acontece no Iêmen pode aumentar muito as tensões na região, além de elevar os temores do Ocidente de ataques vindos do paÃs, à medida que ele se torna mais instável.
As agências de inteligência consideram o braço da organização extremista Al-Qaeda na PenÃnsula Arábica como o mais perigoso, por causa de sua expertise técnica e alcance global. O surgimento na região de novos grupos afiliados ao Estado Islâmico também é motivo de preocupação.
O conflito entre os hutis e o governo também é visto como parte de uma batalha regional de poder entre os xiitas liderados pelo Irã e os sunitas, pela Arábia Saudita.
Os paÃses do Golfo Pérsico, que apoiam o presidente iemenita Abdu Rabbu Mansour Hadi, acusam o Irã de apoiar os hutis financeiramente e militarmente, apesar de o Irã negar.
O Iêmen é estrategicamente importante porque está no estreito de Bab-el-Mandeb, que faz ligação com a Ãfrica, e é rota de navios petroleiros.
Como tudo começou?

 Os rebeldes xiitas hutis entraram em Sanaa em setembro de 2014 e tomaram seu controle meses depois - Image AFP
Essa guerra tem suas raÃzes no fracasso de uma transição polÃtica que supostamente traria estabilidade ao Iêmen após uma revolta na sequência da Primavera Ãrabe, em 2011, que forçou a saÃda do poder do ex-presidente Ali Abdullah Saleh após 33 anos no poder, e passou o comando do paÃs para o seu então vice, Hadi.
Hadi enfrentou uma variedade de problemas, incluindo ataques da Al-Qaeda, um movimento separatista no sul, a resistência de muitos militares que continuaram leais a Saleh, assim como corrupção, desemprego e insegurança alimentar.
O movimento huti, que segue uma corrente do islã xiita chamada zaidismo e travou uma série de batalhas contra Saleh na década anterior, tirou proveito da fraqueza do novo presidente e tomou o controle da provÃncia de Saada, no nordeste.
Desiludidos com a transição, muitos iemenitas – incluindo os sunitas – apoiaram os hutis e, em setembro de 2014, eles entraram na capital do paÃs, Sanaa, montando acampamentos nas ruas e bloqueando as vias.
Em janeiro de 2015 eles cercaram o palácio presidencial e colocaram o presidente Hadi e seu gabinete em prisão domiciliar.
O presidente conseguiu fugir para a cidade de Ãden no mês seguinte.

Uma coalizão internacional liderada pelos sauditas interveio no Iêmen em 2015 – Imagem AFP
Os hutis tentaram então tomar o controle do paÃs inteiro e Hadi teve que deixar o Iêmen.
Alarmados com o crescimento de um grupo que eles acreditavam ser apoiado militarmente pelo poder xiita local do Irã, a Arábia Saudita e outros oito Estados sunitas árabes começaram uma série de ataques aéreos para restaurar o governo de Hadi. Essa coalizão recebeu apoio logÃstico e de inteligência de Estados Unidos, do Reino Unido e da França.
O que aconteceu desde então?
Há dois anos e meio, essa guerra está em curso e nenhum dos lados parece disposto a ceder. A ONU tentou, sem sucesso, por três vezes negociar um acordo de paz.
Forças pró-governo, constituÃdas principalmente por soldados leais ao presidente Hadi e sunitas de tribos do sul e separatistas, conseguiram evitar que os rebeldes tomassem a cidade de Ãden, mas após quatro meses de uma batalha violenta, que deixou centenas de mortos.
Tendo assegurado um espaço no porto, tropas das forças de coalizão desembarcaram lá e ajudaram a expulsar os hutis para o sul. O presidente Hadi estabeleceu residência temporária em Ãden, apesar da maioria de seu gabinete continuar exilada.
Os hutis, no entanto, conseguiram manter um cerco na cidade de Taiz e lançar morteiros e foguetes através da fronteira com a Arábia Saudita.
Os jihadistas da Al-Qaeda na PenÃnsula Arábica e rivais de organizações parceiras do Estado Islâmico têm tomado proveito do caos, confiscando territórios no sul e cometendo ataques mortais, principalmente em Ãden.
O lançamento de um mÃssil em direção a Riad em novembro levou a Arábia Saudita a apertar o bloqueio no Iêmen.
A coalizão alegou querer parar o contrabando de armas para os rebeldes do Irã, mas a ONU disse que as restrições poderiam desencadear “a maior crise de fome que o mundo já viu em décadas”.









