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Do voto à preservação: TRE lidera movimento ambiental em Colíder com o lançamento do projeto SilvesTRE  Bolitas de Sementes

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Um passo concreto, coletivo e transformador rumo à recuperação ambiental da Bacia Carapá, ganhou força em Colíder, no nortão do Estado de Mato Grosso. O município foi palco da aplicação prática da segunda fase do Projeto SilvesTRE, iniciativa liderada pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) e apresentada internacionalmente durante a COP30 pela desembargadora Serly Marcondes Alves.

Mais do que uma ação institucional, o projeto se consolidou como um verdadeiro movimento comunitário. Durante três dias Colíder viveu uma mobilização que uniu poder público, Judiciário, universidade, escolas, organizações ambientais, produtores rurais e a população em geral — todos com as mãos literalmente na terra e o olhar voltado para o futuro.

Foto TRE

A primeira oficina prática ocorreu no sábado (21), no campus da Unemat, reunindo representantes de diversos segmentos. Na sequência, o projeto avançou para as comunidades rurais, com oficinas educativas realizadas na Escola Café Norte e na Escola Municipal São Mateus, onde alunos, professores e até mães de estudantes participaram ativamente da produção das chamadas “bolitas de vida”.

As pequenas esferas — feitas de argila, composto orgânico e sementes nativas — representam uma técnica simples, inspirada na agricultura natural do japonês Masanobu Fukuoka, mas com enorme potencial de transformação. A metodologia permite recuperar áreas degradadas com eficiência, inclusive em locais de difícil acesso, protegendo as sementes até o momento ideal da germinação.

Da teoria à prática: ação no Rio Carapá

O ponto alto da programação ocorreu na quarta-feira (25), com o lançamento oficial do projeto no auditório da Unemat, pela  desembargadora Serly Marcondes Alves. Em seguida, a iniciativa saiu do discurso e foi para o campo. Cerca de mil bolitas foram produzidas — número que superou a meta inicial graças à parceria com a Rede de Sementes do Portal da Amazônia e o Coletivo Água Vida — e lançadas em uma área estratégica da Fazenda Carapá, às margens do rio que abastece o município.

Foto:TRE

O encerramento das ações, com a dispersão das bolitas de sementes, ocorreu em uma Área de Preservação Permanente (APP) do Rio Carapá, na Fazenda Carapá, cedida especialmente para a amostragem do projeto.

O momento reuniu um grande número de participantes, evidenciando a força coletiva da iniciativa. Estiveram presentes a desembargadora Serly Marcondes Alves, acompanhada de sua equipe; o vice-prefeito Lourenço Marani; o diretor da Unemat, professor doutor Marcelo Leandro Holzschuh, junto à equipe da instituição; o secretário municipal de Meio Ambiente e Assuntos Fundiários, Eliel Mota, com sua equipe; além de professores, alunos da rede municipal, representantes da Associação Ambiental Carapá Vivo e demais lideranças locais.

Valendo salientar que, a Bacia Hidrográfica do Rio Carapá, localizada em Colíder e Nova Canaã do Norte (MT), enfrenta um cenário crítico de degradação. Com uma área de 1.409 km² e mais de 500 nascentes, a bacia sofre com o desmatamento acumulado em décadas para dar lugar à agricultura, pastagens e urbanização, o que já resultou, inclusive, na crise hídrica de 2019, quando Colíder precisou recorrer a caminhões-pipa.

 União que planta futuro

Participando ativamente de todas as etapas, a desembargadora Serly Marcondes Alves destacou que o projeto vai além da recuperação ambiental — ele fortalece a cidadania e a consciência coletiva.

Foto:TRE

“Restaurar é tão importante quanto  plantar. É devolver à natureza com amor e consciência o que foi perdido. Esse projeto conecta o cidadão ao meio ambiente e fortalece sua cidadania”, afirmou Drª Serly.

O momento nos convida para reflexão

O vice-prefeito de Colíder, Lourenço Marani, que também foi a campo e participou ativamente das ações colocando as bolitas de sementes na terra, plantando vida, conforme enfatizou, destacou a importância do momento:

“Ver o Projeto SilvesTRE ganhando vida em Colíder nos enche de orgulho. É um marco importante para o município, fruto da união entre Judiciário, Executivo, Legislativo e a sociedade.

Estamos falando de vida. Preservar o meio ambiente é essencial, pois dele depende o nosso próprio futuro.

A ação realizada aqui, às margens do rio Carapá, que abastece nossa cidade, nos convida à reflexão e à responsabilidade.

Trata-se de uma proposta simples, mas extremamente eficaz, que envolve escolas, professores, alunos e toda a comunidade, permitindo que, no futuro, possamos ver áreas recuperadas e um novo cenário ambiental.

Como vice-prefeito, me sinto honrado em participar deste momento e reafirmo o compromisso do município em apoiar e ampliar esse projeto para outras áreas de Colíder.”

Já o Secretário Municipal de Meio Ambiente, Eliel Mota, mostrando-se muito feliz com o acontecimento que ficará, segundo ele marcado na história de Colider, disse:

 “O que vivemos aqui em Colíder é algo que realmente nos enche de esperança. Ver tantos segmentos unidos — poder público, Judiciário, universidade, escolas, entidades e a comunidade — mostra que, quando há propósito, a transformação acontece de verdade. Fiquei profundamente impressionado com a simplicidade da técnica das bolitas e, ao mesmo tempo, com a grandeza do impacto que ela pode gerar. E mais ainda com a sensibilidade da desembargadora Serly, que demonstra, com atitudes, o quanto valoriza as questões ambientais e a construção de um futuro sustentável. Acreditamos, sim, em um futuro feliz para a bacia do Rio Carapá. Mas esse futuro não virá sozinho — ele depende da continuidade desse trabalho, do compromisso e do envolvimento de todos nós.  Precisamos manter essa união, fortalecer as parcerias e ampliar esse movimento, trazendo ainda mais instituições e pessoas para essa causa. Porque cuidar do meio ambiente é cuidar da nossa água, da nossa vida e das próximas gerações.”

Muito além de plantar: restaurar e proteger

Com apoio científico da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o projeto segue agora para uma nova etapa: o monitoramento das áreas recuperadas, incluindo a medição da captura de carbono e os impactos diretos na qualidade de vida da população.

Foto:TRE

Mais do que uma ação pontual, o SilvesTRE nasce como um modelo de integração entre Justiça Eleitoral, educação ambiental e participação social — mostrando que o exercício da cidadania também passa pelo cuidado com a terra, com a água e com o futuro.

Colíder não apenas plantou sementes — plantou consciência, união e esperança.

Redação Folha de Colider

Fotos: Assessoria Sec. Meio Ambiente