
TRT/23

   Estima-se que Mato Grosso abrigue cerca 3,5 mil haitianos, conforme dados apresentados pelo Instituto de Migrações e Direitos Humanos. Entre eles, está Sadraque Bon, de 31 anos, que deixou seu paÃs após perder tudo que mais importava na sua vida: além da casa e o terreno onde trabalhava, perdeu também o pai, que morreu de ataque cardÃaco durante o forte terremoto que assolou o paÃs.
      O tremor de terras fez com que, em apenas 35 segundos, toda a nação fosse destruÃda. Segundo a ONU, a catástrofe deixou mais de 200 mil mortos, inutilizando cerca de 300 mil prédios, incluindo quase todas as instituições de governo.
        A exemplo de tantos outros compatriotas, Sadraque veio para o Brasil na esperança de enviar dinheiro para sustentar a esposa e o filho, de apenas dois anos, que ficaram no Haiti. Deixou a cidade de Jacmel, a 93,5 km da capital Porto PrÃncipe, e percorreu o trajeto mais utilizado por seus compatriotas: cruzou a fronteira com a República Dominicana e de lá foi para o Panamá, de onde seguiu viagem até o Brasil, via Equador e Peru. Então cruzou a fronteira pela cidade de Brasileia, no Acre.
      Lá, foi atraÃdo pelas notÃcias de que Cuiabá, uma das cidades sedes da Copa de 2014, vivia um boom na construção civil. No entanto, Sadraque explica que a falta de fluência no português sempre o atrapalhou na hora de conseguir um emprego, dificuldade também enfrentada pelo conterrâneo Emmanuel Germains, há três meses em Cuiabá. Falando apenas algumas palavras em português, reclama que vê venezuelanos conseguindo trabalho enquanto ele permanece à espera.






