
Descoberta pode se tornar, futuramente, um novo indicador para a longevidade de idosos ao redor do mundo; entenda

No final de fevereiro, a pesquisadora Virginia Byers Kraus encontrou evidências de que um simples exame de sangue pode determinar a probabilidade de sobrevivência de uma pessoa idosa. O estudo foi publicado no periódico Aging Cell e pode ser lido aqui.
Na pesquisa, a equipe de Virginia percebeu que pequenas moléculas de RNA, intituladas piRNAs, atestam se pessoas mais velhas têm chance de sobreviver por, pelo menos, mais dois anos. O consenso científico sobre a longevidade está atrelado à adesão de hábitos saudáveis, mas obter uma precisão de quantos anos se tem pela frente ainda não é comum.
Para quem tem pressa:
- Um grupo de pesquisadores, liderados por Virginia Byers Kraus, descobriu que moléculas presentes no sangue humano podem determinar as chances de um idoso sobreviver por mais dois anos;
- Em testes preliminares, esses indicadores demonstraram mais eficácia para analisar a longevidade a curto prazo do que dados como idade, colesterol e pressão alterial;
- Os pesquisadores precisam realizar mais testes para determinar de que maneira os hábitos cotidianos afetam os níveis de piRNAs, molécula responsável por indicar as chances de sobrevivência.
Entendendo a nova descoberta

Principal autora da pesquisa, Virginia Byers Kraus é professora na Escola de Medicina da Duke University e leciona nos departamentos de Medicina, Patologia e Cirurgia Ortopédica.
Ao jornal do departamento de saúde da universidade, ela disse o seguinte:
A combinação de apenas alguns piRNAs foi o indicador mais forte de sobrevivência em dois anos em adultos mais velhos — mais forte do que idade, hábitos de vida ou qualquer outra medida de saúde que examinamos.— Virginia Byers Kraus, pesquisadora e professora na Escola de Medicina da Duke University
O método de análise consistiu em coletar amostras de sangue de adultos com 71 anos ou mais e examinar a presença de piRNAs. Para isso, utilizaram inteligência artificial para verificar 187 fatores clínicos e 828 trechos de RNA em mais de 1.200 amostras de sangue.
Segundo o exame, um grupo de seis piRNAs previu a sobrevivência dos adultos em dois anos com uma preisão de até 86%.

Ao interpretar os dados, perceberam que os adultos que viveram por mais tempo detinham níveis mais baixos de piRNAs. Esse mesmo padrão já havia sido visto em organismos simples, onde a redução destas moléculas atrelou-se diretamente ao aumento da longevidade.
Quando essas moléculas estão em quantidades mais altas, isso pode sinalizar que algo no organismo está fora do rumo. Entender o porquê pode abrir novas possibilidades para terapias que promovam o envelhecimento saudável.— Virginia Byers Kraus, pesquisadora e professora
Ademais, o estudo ainda compara a presença dessas moléculas a outros indicados de saúde já mais consolidados.
- Para prever a sobrevivência a curto prazo (≈ 2 anos): a análise dos piRNAs foi mais eficiente do que analisar fatores como idade, colesterol, atividade física, pressão arterial, etc.;
- Para prever a sobrevivência a longo prazo (+ de 2 anos): indicadores como hábitos de vida, histórico médico, e atividade física foram mais relevantes do que os piRNAs.
Agora, a equipe precisa verificar se mudanças no estilo de vida, medicamentos ou boa alimentação podem alterar a quantidade de piRNAs no sangue. Também é necessário comparar os níveis dessas moléculas no sangue com o nível presente nos tecidos, a fim de entender melhor a sua função.
Embora o exame se transforme num futuro aliado para medir a expectativa de vida, ainda é recomendado a prática de atividade física, descanso regular e boa alimentação para promover a longevidade com saúde.







