O respeito às diferenças na nova Base Curricular

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     Rubens F. Passos*

                A nova Base Nacional Comum Curricular, recentemente anunciada, apresenta algumas medidas concretas no sentido de se reduzirem as disparidades entre as escolas públicas e as particulares. A principal delas é a alfabetização no segundo Ano do Ensino Fundamental, que oferece, assim, isonomia no calendário quanto à capacidade de ler e escrever. Também são importantes, dentre as novidades, a aprendizagem de estatística e probabilidade desde o primeiro ano, de inglês a partir do sexto e de disciplinas relativas à tolerância, pluralidade e respeito às diferenças.

                            Tais inovações somente apresentarão resultados práticos, contudo, se apoiadas por outras mudanças concretas, a começar pela valorização, formação e motivação permanente dos professores. Afinal, nenhuma criança será alfabetizada por decreto. É necessária, ainda, boa e regular merenda no período escolar.

                         Outro fator capaz de contribuir para a melhoria do rendimento dos alunos refere-se aos materiais escolares. A maioria das prefeituras e governos estaduais faz as compras dos kits para cada ano letivo por meio de licitações. Nesse processo, porém, são frequentes as denúncias de fraudes e sempre ocorrem atrasos nas entregas. Além disso, a padronização de cadernos, agendas e outros materiais comprados em lotes nas concorrências públicas choca-se frontalmente com a nova orientação das disciplinas ligadas ao respeito às diferenças.

                        Para acabar com as fraudes e atrasos e atender ao respeito às diferenças, item marcante da nova Base Nacional Comum Curricular, a resposta chama-se Cartão Material Escolar, já implantado com sucesso no Distrito Federal, na rede estadual do Maranhão e em vários municípios paulistas e brasileiros. O aluno recebe um crédito, compra os itens nas papelarias de sua cidade, escolhe cores, estampas e modelos, reforçando sua identidade. O sistema é imune a fraudes e corrupção e parece ter sido feito na medida para as positivas transformações do ensino brasileiro.

                   *Rubens F. Passos, economista pela FAAP e MBA pela Duke University (EUA), é presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (ABFIAE) e presidente do Conselho da Enactus Brasil