


   Quem já teve a oportunidade de acompanhar os movimentos de queda de governos – federal, estadual e até municipal – observou um lugar comum em todos eles. Apesar da diversidade de motivos para o afastamento de um e outro governante, quem acaba pagando o pato é o vice. Na esfera federal, quando os militares derrubaram João Goulart, em 1964, o vice Pedro Aleixo foi impedido de assumir; na queda de Fernando Collor, em 1992, o vice Itamar Franco foi inúmeras vezes acusados de estar articulando contra o presidente e, agora, Michel Temer é a bola da vez, merecendo a desconfiança de Dilma Rousseff e a hostilidade do seu partido e seguidores, que o acusam de promover um “golpeâ€. A cena é recorrente também em estados e municÃpios, onde o vice é demonizado pelo governante náufrago e seus seguidores.