J. ESTADUALÂ
      DA REDAÇÃO
Segundo a Amam, Asiel Bezerra fez ataques gratuitos contra a magistrada em razão de uma decisão que o afastou do cargo, posteriormente revogada pelo presidente do TJ-MT, desembargador Paulo da
“Naquela ocasião, em seguida da minha recondução, apenas reverberei o entendimento firme demonstrado pelo Desembargador Paulo da Cunha, que, também repito, afirmou que a decisão de afastamento ‘não está amparado na legislação’, não ‘possui fundamentação idônea’, sendo, na verdade, um ‘ato atentatório à ordem pública’ e ‘violador da separação harmônica dos poderes’. Nesses exatos e literais termos”
Cunha.
Em resposta, o prefeito disse que as crÃticas que ele fez a juÃza foram baseadas integralmente em trechos da decisão proferida pelo presidente do TJ-MT.
“Naquela ocasião, em seguida da minha recondução, apenas reverberei o entendimento firme demonstrado pelo Desembargador Paulo da Cunha, que, também repito, afirmou que a decisão de afastamento “não está amparado na legislaçãoâ€, não “possui fundamentação idôneaâ€, sendo, na verdade, um “ato atentatório à ordem pública†e “violador da separação harmônica dos poderesâ€. Nesses exatos e literais termosâ€.
“Continuando, o E. Presidente do TJ-MT afirma ainda que “a decisão que determinou o afastamento provisório do Prefeito de Alta Floresta se mostra despida de legalidadeâ€, “sendo flagrante o risco de grave lesão à ordem pública – com vulneração da vontade popularâ€, relatou o prefeito.
Sendo assim, para Asiel Bezerra, chama a atenção o fato de a Amam não ter feito a nota de repúdio contra o desembargador Paulo da Cunha, “considerando que nas crÃticas que fiz – as quais mantenho – à decisão de afastamento sempre me baseei na ordem deleâ€.
Mentira e recondução
Asiel Bezerra alegou que a Amam mentiu na nota de repúdio, uma vez que a decisão que o afastou do cargo, ao contrário do que consta na nota, não apura indÃcios de improbidade administrativa.
“O processo diz respeito a uma ação civil pública com pedido de obrigação de fazer na área de saúde. Nele não se questiona a minha honestidade frente à administração pública. O objeto da ação, movida pelo Ministério Público, é, em resumo, pretender que o municÃpio seja obrigado a garantir que os médicos prestadores de serviço junto aos postos de saúde cumpram rigorosamente a carga horária de 40 horas semanaisâ€, explicou.
Ainda na nota-resposta, o prefeito de Alta Floresta nega que tenha dito que a sua recondução ao cargo era definitiva e acusou a Amam de usar a “técnica da argumentação falsaâ€.
“A AMAM parte de uma premissa falsa – a de que eu teria afirmado que a decisão de recondução ao cargo era definitiva. Eu não afirmei isso – para, de forma maliciosa, sem honestidade intelectual, refutá-la em seguida, apresentando um contra-argumento – de que eu estaria errado, porque a decisão do Desembargador havia feito uma condição -, que seria a solução para o problema, pretendendo sair-se vitoriosa de um embate de argumentos que faticamente não existe, pois nem sequer tem premissaâ€, argumentou.
Quanto à reclamação que fez contra a juÃza na Corregedoria, o prefeito afirmou que nunca deu publicidade a este fato, o que afastaria a tese de tentativa de macular a honra da magistrada.
“De forma que também repudio, veementemente, a postura lamentável da AMAM de pretender colocar vários magistrados contra mim, lastreada apenas na falsa e vergonhosa premissa de que meu questionamento, legÃtimo, acerca da conduta funcional de uma servidora pública comprovaria meu intuito de desacreditar ela e toda a classe”, reclamou.
Para Asiel Bezerrra, é a própria Amam que tem dado publicidade a este fato “de forma irresponsávelâ€, cuja conduta, “em tese, configura calúniaâ€.
“A representação disciplinar que estou movendo está calcada em fatos concretos e é dirigida a uma pessoa especÃfica. Sem honestidade intelectual, a AMAM pretende induzir o leitor de sua Nota a erro. Pretende fazer crer que meu posicionamento se estende a todos os magistrados lotados em Alta Floresta, fato tão nitidamente falso que dispensa minha contra-argumentaçãoâ€, reforçou.
Confira a Ãntegra da nota do prefeito:
Alta Floresta-MT, 21 de maio de 2015.
Resposta do Prefeito Municipal de Alta Floresta-MT, Asiel Bezerra de Araújo, à “Nota de esclarecimento e repúdio†elaborada e divulgada pela Associação Mato-Grossense de Magistrados (AMAM).
A propósito da “Nota de esclarecimento e repúdio†divulgada ontem (20/05/2015) pela entidade de classe privada AMAM contra mim, e valendo-me do direito de resposta que me assegura o art. 5º, V, da Constituição da República, presto os seguintes esclarecimentos:
Em primeiro lugar, ressalto que chama a atenção a AMAM ter elaborado a Nota em referência somente dois meses e meio após minha recondução ao cargo de Prefeito, por ordem do Presidente do TJ-MT, quando proferi algumas declarações atinentes à decisão judicial que me afastou do cargo.
De toda forma, esclareço que todas as manifestações que proferi acerca dela foram baseadas, exclusivamente, no próprio teor da decisão de recondução tomada pelo Chefe do Poder Judiciário de Mato Grosso.
Repito: naquela ocasião, em seguida da minha recondução, apenas reverberei o entendimento firme demonstrado pelo Desembargador Paulo da Cunha, que, também repito, afirmou que a decisão de afastamento “não está amparado na legislaçãoâ€, não “possui fundamentação idôneaâ€, sendo, na verdade, um “ato atentatório à ordem pública†e “violador da separação harmônica dos poderesâ€. Nesses exatos e literais termos.
Continuando, o E. Presidente do TJ-MT afirma ainda que “a decisão que determinou o afastamento provisório do Prefeito de Alta Floresta se mostra despida de legalidadeâ€, “sendo flagrante o risco de grave lesão à ordem pública – com vulneração da vontade popularâ€.
Convido toda a população de Alta Floresta a ler o inteiro do teor dessa decisão emanada da Presidência do TJ-MT, que pode ser encontrada em seu site (processo com protocolo nº 27323/2015). Assinalo, aliás, que o Procurador-Geral de Justiça de Mato Grosso não recorreu dessa decisão.
Contextualizadas as declarações que fiz, então, chama muito a atenção o fato de a AMAM não ter se dirigido na Nota de repúdio à Sua Excelência, o Desembargador Paulo da Cunha, Presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, considerando que nas crÃticas que fiz – as quais mantenho – à decisão de afastamento sempre me baseei na ordem dele.
Em segundo lugar, nunca afirmei que a decisão do Desembargador era definitiva, o que a Nota da AMAM toma como premissa falsa. De fato, o incidente de suspensão de liminar deferido em meu favor, para que eu retornasse ao cargo, condicionou a suspensão da decisão de afastamento ao julgamento de um recurso que está em trâmite no TJ-MT.
Mas a técnica de argumentação falsa de que se vale a AMAM – na filosofia, chamada de argumentação heurÃstica – não me surpreende, na medida em que já foi esmiuçada por notórios filósofos, dos quais Arthur Schopenhauer é o maior expoente, notadamente em sua obra “Como vencer um debate sem precisar ter razãoâ€.
A AMAM parte de uma premissa falsa – a de que eu teria afirmado que a decisão de recondução ao cargo era definitiva. Eu não afirmei isso – para, de forma maliciosa, sem honestidade intelectual, refutá-la em seguida, apresentando um contra-argumento – de que eu estaria errado, porque a decisão do Desembargador havia feito uma condição -, que seria a solução para o problema, pretendendo sair-se vitoriosa de um embate de argumentos que faticamente não existe, pois nem sequer tem premissa.
Em terceiro lugar, cumpre-me esclarecer ainda que a AMAM mentiu na Nota em questão. A decisão que me afastou do cargo foi prolatada pela juÃza Milena Ramos no âmbito de um processo que NÃO apura indÃcios de improbidade administrativa na minha gestão.
O processo diz respeito a uma ação civil pública com pedido de obrigação de fazer na área de saúde. Nele não se questiona a minha honestidade frente à administração pública. O objeto da ação, movida pelo Ministério Público, é, em resumo, pretender que o municÃpio seja obrigado a garantir que os médicos prestadores de serviço junto aos postos de saúde cumpram rigorosamente a carga horária de 40 horas semanais.
Foi deferida uma liminar pela magistrada Milena Ramos nesse sentido – a qual é muito difÃcil de ser cumprida, tendo em vista a escassez de médicos em municÃpios de pequeno porte como Alta Floresta, ainda mais na rede pública, que notoriamente não consegue pagar a eles uma remuneração adequada, ante à também escassez de recursos -, e, tendo a magistrada entendido que eu não a estava cumprindo, afastou-me do cargo de Prefeito.
Esses são os fatos, e convido a população de Alta Floresta a acessar os andamentos do referido processo, de código nº 114317, no site do TJ-MT, para conferir a veracidade do que afirmo, e para averiguar a mentira da AMAM, no que diz respeito à natureza dos autos, que, reitero, não dizem respeito a ação para apurar supostos atos de improbidade administrativa.
A propósito, a mentira aqui exposta é ainda mais grave pelas circunstâncias jurÃdicas do caso: o fato de a decisão de afastamento não ter sido prolatada em processo de improbidade administrativa FOI O PRINCIPAL ARGUMENTO TÉCNICO-JURÃDICO QUE ME ALÇOU DE VOLTA AO CARGO DE PREFEITO.
A arbitrariedade da decisão da juÃza Milena Ramos foi suspensa justamente com base nesse argumento. No que diz respeito a ações de natureza cÃvel, apenas se pode remover um agente polÃtico do cargo se a decisão judicial for exarada em processo de improbidade administrativa (o que não é o caso) e, ainda assim, desde que esteja provado o risco de o agente prejudicar a colheita de provas no processo (tampouco é o caso). É a cristalina redação do art. 20, parágrafo único, da Lei nº 8.429/92.
Em quarto lugar, esclareço o ponto relativo à representação disciplinar. Há aproximadamente um mês e meio protocolei junto à Corregedoria-Geral de Justiça do Estado de Mato Grosso uma reclamação contra a magistrada Milena Ramos.
Questiono de forma veemente e fundamentada – ao contrário do que afirma a AMAM – a decisão da juÃza que me afastou do cargo de Prefeito. Aliás, insto a Associação, se houver a anuência da Magistrada Milena Ramos, a divulgar o conteúdo da reclamação disciplinar em alusão, para que isso seja verificado.
Nunca divulguei essa iniciativa a ninguém, que foi discutida apenas com meus advogados. Sempre mantive total discrição sobre o assunto, consideradas a sensibilidade do caso e a ética exigida inerentemente a procedimentos desse jaez.
A própria AMAM, em sua Nota aqui repudiada, é que fez emergir a iniciativa em comento. A AMAM é que conferiu publicidade a ela.
Não é oportuno que eu faça menção aos fundamentos da representação disciplinar, que deve ser avaliada, observando-se sempre os direitos ao contraditório e à ampla defesa assegurados à magistrada Milena Ramos, apenas pela Corregedoria.
Mas é meu dever repudiar solenemente a afirmação da AMAM de que tomei essa iniciativa com o intuito de abalar a honra da juÃza. De forma irresponsável a AMAM, em tese, atribui-me a prática de um crime. A conduta de seu representante, em tese, configura calúnia .
Requeiro, portanto, que esclareça em que baseia a sua clarividência ao escrever a seguinte frase: “Sabemos que a intenção do prefeito com esta representação é macular a honra da magistrada (…)â€.
Mais do que isso, valendo-se novamente de argumentação heurÃstica, a AMAM afirma que pretendo, com a representação disciplinar, “desacreditar os membros do Poder Judiciário de Alta Florestaâ€.
Chega a uma conclusão ilógica, desprovida de premissa, ou valendo-se de premissa novamente falsa: o fato de eu ter representado alguém demonstraria inexoravelmente meu intuito de desacreditar terceiros. Requeiro também que esclareça em que se baseia para afirmar isso.
A representação disciplinar que estou movendo está calcada em fatos concretos e é dirigida a uma pessoa especÃfica. Sem honestidade intelectual, a AMAM pretende induzir o leitor de sua Nota a erro.
Pretende fazer crer que meu posicionamento se estende a todos os magistrados lotados em Alta Floresta, fato tão nitidamente falso que dispensa minha contra-argumentação.
O processo disciplinar iniciado por minha iniciativa sequer pretende desacreditar a magistrada Milena Ramos. Trata-se de um expediente administrativo de controle previsto em todos os paÃses civilizados do mundo.
Qualquer cidadão, jurisdicionado ou não, tem o direito de questionar qualquer servidor público por supostos desvios funcionais que cometa. Os membros do Poder Judiciário não são exceção, daà a razão de existência das Corregedorias, às quais cabe a apuração dos fatos e ponto. Não há lógica que sustente a presunção de que o acusador, por essa simples condição, seja um difamador ou caluniador.
Em tempo, acrescento que o eventual histórico abonatório do servidor público que se investiga não o exime de suas responsabilidades. Não tem o condão de excluir da apreciação do Poder Judiciário as ilicitudes que porventura venha a praticar. Que se apurem os fatos, imparcialmente.
De forma que também repudio, veementemente, a postura lamentável da AMAM de pretender colocar vários magistrados contra mim, lastreada apenas na falsa e vergonhosa premissa de que meu questionamento, legÃtimo, acerca da conduta funcional de uma servidora pública comprovaria meu intuito de desacreditar ela e toda a classe.
Por fim, ressalto que estou inteiramente à disposição de qualquer interessado para esclarecer o que for necessário, frisando que meu respeito e minha admiração pela magistratura do estado de Mato Grosso são inabaláveis, independentemente de qualquer esforço, público ou particular, de me darem razões para pensar o contrário.
Asiel Bezerra de Araújo
Prefeito Municipal de Alta Floresta-MT