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ENDIVIDAMENTO RECORDE: Juros altos e apostas online empurram famílias brasileiras para o limite financeiro e dívida pública passa de R$ 10 trilhões

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REDAÇÃO

O cenário econômico brasileiro no início de 2026 acende um sinal de alerta diante do elevado nível de endividamento das famílias e do crescimento da dívida pública federal.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), cerca de 79,5% das famílias brasileiras estavam endividadas em janeiro de 2026, índice que iguala o pico histórico registrado em 2025.

Ainda segundo a CNC, o cartão de crédito permanece como a principal modalidade de dívida, citado por 85,4% dos entrevistados, seguido por carnês, crédito pessoal e financiamentos.

A pesquisa aponta também que a inadimplência — famílias com contas em atraso — segue em patamar elevado, comprometendo o orçamento doméstico e impactando diretamente o consumo.

Juros altos e apostas online pressionam orçamento

Especialistas apontam que o endividamento elevado está relacionado principalmente:

  • À manutenção da taxa básica de juros (Selic) em níveis elevados;
  • À inflação acumulada nos últimos anos;
  • À maior oferta e uso de crédito;
  • Ao avanço das apostas esportivas online (bets), que vêm comprometendo parte da renda de muitas famílias.

A taxa Selic é definida pelo Banco Central do Brasil, e influencia diretamente o custo do crédito, afetando empréstimos, financiamentos e o rotativo do cartão.

Dívida pública supera R$ 10 trilhões

No âmbito das contas públicas, dados do Tesouro Nacional indicam que a dívida pública federal encerrou 2025 acima de R$ 10 trilhões.

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) já havia ultrapassado R$ 8,48 trilhões em novembro, representando cerca de 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o Tesouro, o crescimento da dívida é impulsionado principalmente pelo custo elevado dos juros, já que a alta da Selic encarece a rolagem dos títulos públicos, ampliando o impacto fiscal.

Impactos na economia e no bem-estar

O alto comprometimento da renda com dívidas reduz a capacidade de consumo das famílias, afetando o comércio e desacelerando a economia.

Além do impacto econômico, há reflexos sociais importantes, como o aumento do estresse financeiro e maior vulnerabilidade das famílias de menor renda, que acabam mais expostas à inadimplência.

Especialistas alertam que o controle dos juros, a educação financeira e políticas voltadas à recuperação do poder de compra serão fundamentais para evitar um agravamento do quadro ao longo de 2026.

Da Redação Folha de Colider