
Esse cenário reforça o risco de um novo choque inflacionário global
Agrolink – Leonardo Gottems

Esse cenário reforça o risco de um novo choque inflacionário global – Foto: Pixabay
Conflitos internacionais em regiões estratégicas para o abastecimento global aumentam a pressão sobre custos de produção, logística e crédito no agronegócio. A escalada das tensões no Oriente Médio, somada aos rearranjos geopolíticos e comerciais, já traz reflexos para o setor brasileiro e amplia a preocupação com a safra 2026/27.
Os impactos mais imediatos aparecem na alta do petróleo, da energia e dos fertilizantes. O fechamento de rotas importantes para o abastecimento mundial afeta o fluxo de combustíveis, derivados petroquímicos e matérias-primas agrícolas, com reflexos sobre diesel, fertilizantes nitrogenados e fosfatados, além de outros insumos usados no campo.
Esse cenário reforça o risco de um novo choque inflacionário global. A elevação dos custos energéticos pressiona a inflação, reduz as expectativas de queda dos juros e dificulta o acesso ao crédito. No Brasil, a preocupação é maior entre produtores rurais endividados, que já trabalham com margens apertadas e custos financeiros elevados.
Para a safra 2026/27, especialistas avaliam que o ambiente será de cautela. Fertilizantes mais caros, crédito restrito, juros altos e possíveis problemas climáticos podem afetar o planejamento da próxima temporada. O baixo estoque de insumos também aumenta o risco de falta de produtos no período de plantio.
O câmbio é outro fator relevante. A entrada de capital estrangeiro no Brasil pode valorizar o real e reduzir a receita em reais das exportações agrícolas, sem compensação por alta internacional das commodities.
A logística também exige atenção. Com previsão de safra próxima de 358 milhões de toneladas de grãos em 2026, analistas alertam para gargalos em armazenagem, acesso portuário e transporte ferroviário. A avaliação é que o país precisa ampliar investimentos e consolidar novas rotas comerciais.
Apesar dos desafios, o Brasil reúne vantagens estratégicas. O país é visto como fornecedor confiável de alimentos, tem matriz energética renovável e liderança em biocombustíveis. A crise também tende a acelerar o uso de agricultura de precisão, produtos biológicos, fertilizantes organominerais, inteligência artificial e novos combustíveis renováveis. As informações são do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS).







