Início Vida e Saude Survodutida: nova caneta emagrecedora surpreende médicos com bons resultados no fígado

Survodutida: nova caneta emagrecedora surpreende médicos com bons resultados no fígado

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Estudo revela que a survodutida pode reduzir gordura no fígado além da perda de peso, ampliando o impacto dos tratamentos para obesidade.

Valdir Antonelli

obesidade
Medicamento experimental mostra que vão além do emagrecimento e chama atenção por atuação direta no fígado em estudos clínicos. Imagem: grinvalds/iStock

Uma molécula experimental da Boehringer Ingelheim ganhou destaque no encontro anual da Associação Americana de Diabetes (ADA), em Nova Orleans. Não foi só por ajudar na perda de peso — isso já seria esperado nesse tipo de estudo — mas por um ponto específico que chamou atenção até de pesquisadores mais experientes: a redução da gordura acumulada no fígado.

Segundo a MedicalXpress, a survodutida entrou de vez na conversa sobre a nova geração de medicamentos para obesidade. E, aos poucos, vai mudando o tipo de pergunta feita nesses congressos.

Caneta emagrecedora ao lado de uma fita métrica emboladana mão de uma pessoa
Estudos clínicos apontam queda de até 60% na gordura hepática com uso de survodutida em adultos obesos. Imagem: Edugrafo/Shutterstock – Imagem: Edugrafo/Shutterstock

O debate sobre obesidade mudou de lugar

Clayton Macedo, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), resumiu bem o clima. Segundo ele, em declaração ao G1, não faz mais sentido olhar apenas para “quantos quilos foram perdidos”.

Agora a discussão é outra. O que mais esses remédios conseguem melhorar no corpo? E, principalmente, o que acontece com órgãos-alvo como o fígado?

Essa virada de chave apareceu em vários trabalhos apresentados no evento.

Médico mostrando fígado com gordura, doença hepática em fundo branco.
Survodutida reduz gordura no fígado em até 60% e chama atenção em estudos clínicos Imagem: SoftSheep/Shutterstock

O que os estudos mostraram na prática

Um dos estudos mais comentados foi de fase 3 — a etapa final antes de possível aprovação — publicado na revista Nature Medicine. Foram 216 adultos com obesidade e gordura no fígado.

O resultado chama atenção: redução de quase 60% na gordura hepática. Não é um detalhe pequeno.

Em 84% dos participantes, a queda foi de pelo menos 30%, contra 24% no placebo. E cerca de seis em cada dez chegaram a níveis considerados normais. Marcadores de inflamação também caíram, incluindo a enzima ALT.

Em outro estudo, publicado no New England Journal of Medicine, 725 adultos com obesidade sem diabetes foram acompanhados. Parte deles passou por ressonância magnética — e aqui vale um parêntese: é um dos métodos mais precisos para avaliar gordura no corpo.

Nesse grupo, a gordura visceral caiu cerca de 34% (contra 12% no placebo). A gordura no fígado caiu 63%. E um dado importante: a massa magra foi preservada.