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RESULTADO HISTÓRICO: remédio contra câncer aprovado pela FDA provoca aplausos e lágrimas entre médicos

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Rinaldo de Oliveira

O novo medicamento aprovado nos Estados Unidos praticamente dobrou a sobrevida mediana de pacientes com câncer de pâncreas metastático em estudo clínico - Fotos: Kim Raff/The New York Times/ Arquivo SNB

O novo medicamento aprovado nos Estados Unidos praticamente dobrou a sobrevida mediana de pacientes com câncer de pâncreas metastático em estudo clínico – Fotos: Kim Raff/The New York Times/ Arquivo SNB

A notícia boa que pacientes e médicos esperavam há décadas. O FDA, órgão que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou nesta quarta-feira, 26 de agosto, um novo remédio contra o câncer de pâncreas metastático que praticamente dobrou a sobrevida mediana dos pacientes em um grande estudo clínico. Como mostrou o So Notícia Boa, médicos choraram quando ele foi anunciado, em junho, num congresso de oncologia.

O medicamento é o daraxonrasib, que será vendido com o nome Rasonque. Ele é administrado por via oral, em dose de 300 mg uma vez ao dia, e representa a primeira terapia de uma nova classe de medicamentos capazes de atingir de forma ampla proteínas da família RAS, responsáveis pelo crescimento de grande parte dos tumores de pâncreas.

O resultado, publicado no New England Journal of Medicine, foi tão expressivo para uma doença historicamente difícil de tratar que, quando os dados foram apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, nos Estados Unidos, médicos e pesquisadores se levantaram para aplaudir. Segundo relato publicado pelo New York Times, alguns chegaram a chorar.

Sobrevida praticamente dobrou

O estudo de fase 3 RASolute 302 acompanhou 500 pacientes com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já haviam recebido tratamento. Entre os pacientes que receberam daraxonrasib, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses. No grupo tratado com quimioterapia, foi de 6,7 meses.

Isso significa que a sobrevida mediana observada no estudo foi praticamente duas vezes maior com o novo medicamento. O risco de morte também foi 60% menor no grupo que recebeu daraxonrasib.

A sobrevida livre de progressão da doença também aumentou: foi de 7,2 meses com o novo remédio contra 3,6 meses entre os pacientes que receberam quimioterapia. A taxa de resposta ao tratamento chegou a 30%, contra 11% no outro grupo.

Não é uma cura

Apesar da enorme expectativa, o daraxonrasib não é uma cura para o câncer de pâncreas. Também é importante entender que os 13,2 meses representam a mediana observada entre os participantes do estudo.

Isso não significa que todos os pacientes que tomarem o medicamento viverão exatamente esse período ou terão a vida duplicada. Há pacientes dos estudos clínicos que continuam vivos anos depois de iniciarem o tratamento.

O FDA aprovou o Rasonque para adultos com adenocarcinoma pancreático metastático que já receberam pelo menos um tratamento sistêmico anterior ou que não podem receber determinadas combinações de medicamentos.

Ataca uma proteína que parecia impossível

Um dos avanços mais importantes está na forma como o daraxonrasib atua.

Mais de 90% dos cânceres de pâncreas apresentam alterações na via RAS, que funciona como uma espécie de interruptor que estimula o crescimento das células cancerosas. Durante décadas, cientistas tiveram enorme dificuldade para desenvolver medicamentos capazes de bloquear esse mecanismo.

O daraxonrasib conseguiu superar parte dessa barreira e impedir a atuação dessas proteínas, dificultando o crescimento do tumor.

Por isso, oncologistas acreditam que a aprovação pode abrir caminho não apenas para novos tratamentos contra o câncer de pâncreas, mas também para medicamentos contra outros tumores ligados à mesma família de proteínas.

Efeitos colaterais

Como todo tratamento contra o câncer, o medicamento pode provocar efeitos colaterais.

Entre os mais comuns estão erupções na pele, diarreia, inflamação da boca, náusea, fadiga, vômitos, dor abdominal, inchaço e redução do apetite.

Mesmo assim, no estudo publicado no New England Journal of Medicine, apenas 1,2% dos pacientes interromperam o daraxonrasib por efeitos adversos relacionados ao tratamento. Entre os pacientes que receberam quimioterapia, esse índice foi de 11,2%.

O medicamento já está disponível mediante prescrição nos Estados Unidos. Por enquanto, a aprovação anunciada vale para o mercado norte-americano e não há previsão de chegada ao Brasil.

Só Notícia Boa