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“Essa culpa eu vou levar”: réu diz que sonha todos com assassinato de esposa

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Gustavo Castro

O réu Jackson Pinto da Silva afirmou que sonha todos os dias com o assassinato da esposa, a empresária Nilza Moura de Souza Antunes, e que carrega o peso do crime desde que a matou. A declaração foi feita durante o julgamento pelo Tribunal do Júri, nesta terça-feira (20), em Cuiabá, quando ele foi questionado sobre o arrependimento.

“Eu sonho todo dia com um peso do que aconteceu. Eu puxei esse instrumento no pescoço dela até ela morrer”, declarou Jackson, ao falar sobre a morte da empresária.

O acusado afirmou que considera o assassinato um dos piores crimes que uma pessoa pode cometer e disse que a lembrança do que fez não sai de sua cabeça.

“É uma coisa que eu fiz que, de todos os crimes que uma pessoa poderia cometer, é um dos piores. Essa culpa eu vou levar”, afirmou.

Durante o interrogatório, Jackson voltou a sustentar que se arrependeu logo após matar Nilza. Em outro trecho do depoimento, ele atribuiu o crime a uma discussão envolvendo o filho e disse que, naquele momento, enxergava a esposa como uma “ameaça à relação com a criança”.

Celular jogado em brejo

Durante as perguntas, Jackson também foi questionado sobre um aparelho celular que teria descartado em um brejo. Ele confirmou que jogou um dos dois telefones que possuía, mas afirmou que isso aconteceu antes do avanço das investigações.

O réu disse que chegou a indicar o local onde havia deixado o aparelho. Em relação ao outro celular, afirmou que o entregou desbloqueado à polícia para auxiliar nas apurações.

“Eu fiz, pedi tudo para poder mostrar. O que eu fiz de errado tá aqui. O que eu não fiz, eu não posso assumir coisa que eu não fiz”, declarou.

Mãos e pés amarrados

Jackson também foi questionado sobre o fato de Nilza ter sido encontrada com as mãos e os pés amarrados. Ele explicou que amarrou os membros da esposa depois da morte, quando tentava colocar o corpo no porta-malas do carro.

Segundo o acusado, a intenção era facilitar o transporte do cadáver até o local onde seria enterrado. Ao ser perguntado se levou a vítima ao terreno com o objetivo de ocultar o corpo, respondeu que sim.

Nilza foi encontrada enterrada nos fundos de um imóvel no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá, em 5 de maio deste ano. A perícia apontou que ela foi asfixiada com uma abraçadeira plástica.

Jackson responde pelo feminicídio da esposa. A investigação também apontou movimentações financeiras feitas pelo réu durante o período em que a empresária era considerada desaparecida, incluindo a transferência de R$ 18 mil da conta dela para a conta pessoal dele.