sábado, 24/02/2024
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A origem da paçoca não tem nada de doce

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Desde 1530, a colonização causou um estrago Brasil em todos os aspectos possíveis. Além de ter apagado, assassinado e escravizado os povos nativos, as influências europeias acabaram bagunçando uma estrutura de tal forma que muito foi perdido historicamente.

A gastronomia brasileira é um bom exemplo disso. Enquanto os portugueses trouxeram iguarias para o país, como o pão, mel, figos, trigo, centeio, patos e manteiga –, até o que já tinha aqui, como o arroz e o feijão, foi alterado e “gourmetizado” pelos europeus.

Mas não é só por isso que a origem da paçoca, por exemplo, não tem nada de doce.

O alimento do povo

(Fonte: Portal Multirio/Reprodução)

(Fonte: Portal Multirio/Reprodução)

De vídeos de intercâmbio espalhados por várias páginas do YouTube a entrevistas com personalidades da mídia, a paçoca está sempre presente quando envolve a culinária brasileira, bem como o brigadeiro e o pão de queijo. Mas o doce, no entanto, se destaca por sua aparência esfarelante e sabor incomum, que fica entre o doce e o salgado ao mesmo tempo.

E isso não é por acaso. Originalmente do tupi “PA-SOKA”, que significa “esmagar com as mãos”, o prato foi inventado pelos indígenas e se refere à maneira como era preparado nos primórdios da colonização, mas não tinha nada a ver com amendoim: era farinha de mandioca e carne bovina que eram esmagados em um pilão de barro.

No século XVII, entre as expedições de Entradas e Bandeiras, que partiam da capitania de São Paulo capturando índios para trabalharem em lavouras e minas de ouro, a paçoca foi absorvida e serviu de alimento fundamental na dieta dos garimpeiros que saíam à procura de diamantes às margens do rio Tibagi, no interior do Paraná, por exemplo. Foi essencial porque a carne da paçoca era muito nutritiva, visto que esses homens andavam cerca de 20 dias para chegarem ao local do garimpo, além de que era de rápido preparo.

(Fonte: Morro do Moreno/Reprodução)

(Fonte: Morro do Moreno/Reprodução)

Naquela época, os tropeiros eram encarregados em fazer o comércio de animais (mulas e cavalos) entre as regiões sul e sudeste, comercializando alimentos, e a paçoca se fez presente nos alforjes desses comerciantes e dos senhores das sesmarias que só tinham isso para se alimentar nos Campos Gerais. 

Assim como os garimpeiros, a paçoca alimentou os tropeiros que chegavam a ficar semanas longe de casa e precisavam carregar algo que fosse leve para não se confundir com o excesso de carga que os cavalos e mulas já transportavam.

A industrialização

(Fonte: Receitas-Globo/Reprodução)

(Fonte: Receitas-Globo/Reprodução)

Muito embora os garimpeiros tenham consumido em excesso a paçoca, foram os tropeiros os responsáveis por popularizá-la Brasil afora. Visto que transportavam encomendas e mensagens entre os distritos afastados, estabelecendo uma unidade, ainda que precária no país –, eles deixaram muitos hábitos por onde passaram.

Fora a disseminação entre a sociedade, foi o processo de industrialização comercial que transformou a paçoca de algo salgado em doce, chegando até o modo conhecido hoje: feito com amendoim, farinha de mandioca e açúcar. Sua fama é imensa em festas juninas, aniversários e outros tipos de celebrações, inclusive na Semana Santa, sendo a paçoca de rolha a mais popular e uma das mais consumidas no Brasil.

Não é para menos que o historiador Câmara Cascudo escreveu em seu História da Alimentação no Brasil que a paçoca é uma permanente alimentar e, no tempo e no espaço, um farnel de viagem com os valores da antiguidade funcional.

Fonte: megacurioso

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