
Segundo a unidade, a paciente passou por cesariana em janeiro e voltou a procurar atendimento em junho com secreção na ferida do pós operatório.
- Quase cinco meses após dar à luz, uma paciente de Juína (MT) denunciou ter retirado um objeto da cicatriz da cesariana realizada no Hospital Municipal Dr. Hideo Sakuno. Em resposta, a unidade informou que abrirá um procedimento administrativo para investigar o caso ocorrido no dia 30 de janeiro deste ano e verificar se houve alguma intercorrência relacionada ao atendimento.
Segundo a unidade, os registros assistenciais indicam que a cirurgia ocorreu sem intercorrências e sem anotações de complicações durante o procedimento ou no período pós-operatório imediato.
A paciente recebeu alta hospitalar no dia 1º de fevereiro, após avaliação médica e evolução clínica considerada satisfatória. Ainda conforme o hospital, ela foi orientada sobre os cuidados após a cirurgia e sobre a necessidade de acompanhamento ambulatorial para monitorar a recuperação.
No entanto, a unidade informou que não há registros de comparecimento da paciente às consultas de acompanhamento pós-operatório junto à equipe responsável pelo procedimento.
Ainda segundo o comunicado, a paciente procurou atendimento no dia 9 de junho, relatando saída de secreção pela ferida operatória, edema local e odor fétido. Após avaliação clínica, foi solicitada uma ultrassonografia de parede abdominal, realizada no dia 10 de junho.
Em entrevista à imprensa, ela contou que não tinha percebido o objeto no corpo.
“Até certo momento, eu não tinha percebido que tinha um problema, até quando saiu esse material que dizem que é o dreno que ficou esquecido lá dentro. Vai fazer quase cinco meses que eu ganhei meu neném e, desde então, todo dia saía líquido. Eu gastava muito com absorventes para não molhar a roupa, porque precisava usar para tentar estancar”, contou a paciente.
O hospital afirma que, depois do exame, não houve retorno imediato para apresentação do resultado e reavaliação médica, etapa considerada importante para a definição da conduta e acompanhamento da evolução do quadro.
Posteriormente, a paciente retornou ao serviço relatando que, durante um procedimento de drenagem linfática, houve exteriorização de material pela região da cicatriz cirúrgica, associada à drenagem de secreção.
“Eu procurei o postinho de saúde, fiz drenagem e a região já estava infeccionada. Semana passada, passei pela doutora, ela olhou e disse que estava com odor. Ontem, quando fui tomar banho e fazer a limpeza, vi que aquele negócio branco estava maior. Apertei para drenar e saiu de uma vez, junto com sangue. Eu quero uma resposta, porque, pelo que fiquei sabendo, eu já seria a terceira pessoa que passa por isso. Quero saber se houve negligência médica”, diz.

No comunicado, o hospital destacou que processos infecciosos relacionados à ferida operatória são complicações descritas na literatura médica e podem ocorrer mesmo quando protocolos assistenciais e boas práticas cirúrgicas são observados.
A unidade também afirmou que, até o momento, a documentação analisada não aponta elementos objetivos que permitam afirmar a ocorrência de erro médico durante o procedimento realizado no hospital.
A direção do Hospital Municipal de Juína informou que a apuração interna vai revisar o prontuário, registros assistenciais, exames realizados e demais informações relacionadas ao caso. Caso novos elementos técnicos sejam identificados, a instituição disse que as informações serão atualizadas.
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