terça-feira, 16/04/2024
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CNH ilegal é vendida em até 12 vezes no cartão pela internet

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Detran-SP afirmou ter conhecimento dos sites citados e que “qualquer caso suspeito envolvendo funcionários do órgão será denunciado à ouvidoria”

Fábio Santos e Thiago Tufan

              A venda ilegal de carteiras de motorista chegou à internet. Ao navegar pela web é possível visitar dezenas de sites que comercializam Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de todas as categorias por até R$ 2 mil em até 12 vezes no cartão de crédito em vários estados do País. Em contato com o Terra, o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) afirmou já ter denunciado os sites citados para Delegacia de Delitos Cometidos por Meios Eletrônicos.

                 A reportagem do Terra fez uma simulação de compra de uma carteira de motorista por um dos sites encontrados. O primeiro passo é a escolha da categoria da CNH. A categoria A (moto) é vendida por R$ 900, seguida pela B (carro) por R$ 1 mil, C (transporte de carga) por R$ 1,5 mil, D (lotação) por R$ 1,7 mil e E (carga pesada) por R$ 2 mil. A equipe optou pela categoria AB (moto e carro), vendida por R$ 1,2 mil.

                 “Vou precisar de pagamento e simples documentos (RG, CPF e nome completo) primeiro. Os outros (documentos) podem ser depois. Se o pagamento for à vista, tem desconto. Eu trabalho com duas vezes: 50% antes, 50% depois que estiver em mãos. Trabalho com depósito bancário ou transferência, Tem preferência de banco?”, questionou um dos vendedores, em uma longa conversa por e-mail, dando três opções de banco. O prazo informado para a entrega da carteira por correio foi de quatro dias.

Site fornece diversos dados para compra de carteira de motorista para todo Brasil

Foto: Thiago Tufano / Reprodução

Questionado sobre a legalidade do documento, o vendedor garantiu que a CNH era original. “Minha parte eu faço, fazendo a de vocês a minha será concretizada”, disse. “Mas que garantias eu tenho que essa carteira, numa blitz policial ou Detran, não será tratada como falsa? Me preocupo com isso”, disse nossa reportagem.

“Senhor, estou aqui para facilitar a vida de vocês que não têm tempo de estar fazendo exames ou qualquer tipo de burocracia que exige uma autoescola. Não estou fazendo ninguém de bobo. Fazendo sua parte, a minha será feita”, retrucou. “Não estou aqui para te vender um documento falso e sim uma coisa 100% original. Você vai me mandar uma entrada, e assim que chegar e você conferir no Detran, me manda o restante”, completou.

Em contato com o Terra, o advogado Henrique Gomes, especialista em direito no trânsito, se mostrou surpreso com o novo esquema de vendas de carteira e também pontuação por multas. “Pela internet nunca tinha visto. Essa é a primeira vez.”, disse. Pela facilidade e garantia de originalidade, ele acredita que possa haver algum funcionário do Detran envolvido no crime.

Sites fazem repasse de multas a carteira de motorista de laranjas

Foto: Reprodução

“Pode existir esquema lá dentro, mas o duro é pegar e ter alguém de dentro do Detran confessando que vende documento. Tenho vários casos de pessoas que compraram a carteira e tiveram que cancelar. Já atendi clientes com CNH verdadeiras, emitidas pelo Detran e com cadastro do Detran-SP. Ele (o órgão) mesmo bloqueia a carteira emitida por ele por suposta fraude, mas alguém lá dentro emitiu essa CNH e constava no banco de dados do Denatran”, disse o advogado.

O especialista diz que o Detran deveria fiscalizar e que a criação de um órgão isento poderia resolver a situação. Para ele, a presença de despachante e autoescola dificultam a fiscalização. “ A emissão não deveria ser tão fácil e na mão de despachante e autoescola. O Detran confia muito nessas pessoas. Eles têm acesso a tudo. Fica muito fácil induzir essas pessoas a fraude. Mas também o público adora comprar uma cartinha, um negócio de pontuação”, criticou.

Quando uma pessoa tem uma carteira original e precisa renovar, o Detran analisa e faz uma auditoria para levantar supostas fraudes. O órgão usa o perfil do condutor, autoescola, município e endereço de origem para analisar o documento. Com isso, dependendo dos resultados dessa análise, o motorista pode se tornar um suspeito e precisar prestar esclarecimentos na corregedoria.

“Já vi gente sair presa de lá. Alguns preferem não ir e procuram advogado. Então eu analiso, vejo a história para entender o que está acontecendo, até onde o Detran tem provas de que ela comprou e até onde eu tenho como provar que não comprou. Normalmente nenhuma das partes consegue provar nada. É um documento emitido pelo Detran. Opto pelo cancelamento”, explicou.

Segundo Gomes, o crime é bastante comum no Brasil e muitos procuram seus serviços para poder novamente ter uma carteira de motorista. Essas pessoas normalmente compraram as carteiras de maneira ilegal e depois tentam se livrar do documento, bloqueado pelo Detran.

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