
Uma fazenda de aproximadamente 4,3 mil hectares, em Novo Mundo, no norte de Mato Grosso, reúne dois interesses: a destinação da área à reforma agrária e requerimentos para exploração de ouro. Enquanto o processo fundiário segue sem solução definitiva, famílias que aguardam o assentamento há mais de duas décadas enfrentam falta de água e infraestrutura básica.
Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), análises cartográficas e fundiárias identificaram requerimentos de mineração de ouro que abrangem cerca de 4.346 hectares, praticamente toda a área da propriedade, reconhecida pela Justiça Federal como pertencente à União.
O Incra informou ter comunicado a situação à Agência Nacional de Mineração (ANM), ao Ministério Público Federal (MPF) e à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Também adotou medidas judiciais e solicitou a suspensão de licenças relacionadas à área. A existência dos requerimentos, porém, não significa que a exploração mineral esteja autorizada ou em andamento.
Assentamento aguarda implantação desde 2002
Criado pelo Incra em 2002, o Projeto de Desenvolvimento Sustentável de Novo Mundo ainda não foi efetivamente implantado. Em 2025, o instituto divulgou uma lista com 74 famílias selecionadas para ocupar lotes, mas a seleção não garantiu o acesso imediato à terra.
Parte dos beneficiários vive no Acampamento União Cinco Estrelas, onde enfrenta dificuldades de abastecimento. Segundo os moradores, o caminhão-pipa responsável pelo fornecimento de água está há mais de uma semana sem atender à comunidade.
A falta de água compromete o consumo doméstico, a criação de animais e as plantações, agravando as condições de vida das famílias enquanto aguardam uma definição sobre o assentamento.
Justiça determinou desocupação de 2 mil hectares
Em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da fazenda, conforme o plano de ocupação elaborado pelo Incra. O prazo inicial de 30 dias foi posteriormente prorrogado até a última semana de outubro, com possibilidade de nova extensão por decisão judicial.
A medida integra o processo de destinação da área à reforma agrária, mas não significa que o assentamento esteja definitivamente implantado. A propriedade também tem histórico de violações trabalhistas, outro aspecto relacionado ao caso.
A Câmara Nacional de Conciliação Agrária acompanha a situação, que envolve questões fundiárias, ambientais e minerárias.
Apesar do reconhecimento judicial de que a área pertence à União e da seleção das famílias, ainda são necessárias providências para a efetiva destinação dos lotes. Até que haja uma solução, os moradores do Acampamento União Cinco Estrelas seguem enfrentando dificuldades e aguardando o acesso à terra.
Redação FC/ Com PrimeiraPágina







