Início Agronegócio Ferrovia pode impactar terras indígenas em MT e governo entra em alerta...

Ferrovia pode impactar terras indígenas em MT e governo entra em alerta após reunião com Xavantes

99
0
Google search engine

Obra estratégica da Fico avança, mas lideranças indígenas cobram garantias, estudos e medidas urgentes para proteger territórios em Mato Grosso

 Celso Ferreira Nery

Ferrovia pode impactar terras indígenas em MT e governo entra em alerta após reunião com Xavantes

Cenário MT

Uma das obras mais estratégicas para o escoamento da produção agrícola no país, a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) voltou ao centro do debate após o governo federal se reunir com lideranças do povo Xavante de Mato Grosso. O encontro, realizado em Brasília, acendeu o alerta para os possíveis impactos da ferrovia sobre territórios indígenas.

A reunião, promovida pelo Ministério dos Transportes com apoio da Infra S.A., marcou a terceira rodada de diálogo com representantes da Terra Indígena Parabubure e reuniu lideranças de diferentes aldeias. O objetivo é discutir os efeitos da obra e buscar soluções que conciliem desenvolvimento econômico e preservação dos direitos indígenas.

Com mais de 360 quilômetros de extensão, a Fico vai ligar Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT), integrando o chamado Arco Norte — corredor logístico considerado essencial para o agronegócio. Mas, para os Xavantes, o avanço da ferrovia levanta preocupações que vão além da economia.

Durante o encontro, as lideranças foram diretas ao apontar a necessidade de estudos mais aprofundados sobre os impactos ambientais, sociais e culturais da obra. Também cobraram consulta prévia às comunidades, além da criação de medidas compensatórias permanentes.

O cacique Isaías Tsihorira Dumhiwe destacou que os impactos são inevitáveis, mas reforçou que é preciso garantir o futuro das próximas gerações. A principal preocupação envolve a preservação do território e a manutenção dos recursos naturais essenciais para a sobrevivência das aldeias.

Do lado do governo, o discurso é de equilíbrio. O subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes afirmou que a prioridade é acelerar não apenas a obra, mas também as soluções que assegurem direitos e atendam às demandas das comunidades indígenas.

Além das questões ambientais, os indígenas também apresentaram reivindicações ligadas à demarcação de terras e à criação de projetos que garantam sustentabilidade econômica dentro das aldeias — um ponto considerado crucial diante das mudanças que a ferrovia pode provocar na região.

O avanço da Fico coloca Mato Grosso novamente no centro de uma discussão delicada: até que ponto grandes obras podem avançar sem comprometer territórios tradicionais? A resposta, ao que tudo indica, ainda está em construção — e passa, necessariamente, pelo diálogo.

Foto: divulgação