
Monique de Carvalho

A folha de quebra-pedra terá origem ao primeiro medicamento fitoterápico, que será distribuído pelo SUS – Foto: Canva
O Brasil deve ter, em aproximadamente seis meses, o primeiro fitoterápico industrializado desenvolvido a partir da planta conhecida como quebra-pedra disponível para uso no Sistema Único de Saúde (SUS).
O medicamento será produzido a partir da espécie Phyllanthus niruri, tradicionalmente utilizado no auxílio ao tratamento de distúrbios urinários.
A iniciativa combina pesquisa científica com saberes tradicionais de povos indígenas, comunidades tradicionais e familiares. O projeto segue a legislação brasileira que regulamenta o acesso a esses conhecimentos e prevê repartição justa de benefícios.Comercial
Conhecimento tradicional
O fitoterápico feito com planta é resultado do uso tradicional da quebra-pedra, que se tornou popular em diferentes regiões do país. A partir de estudos feitos com diversas comunidades, entendeu-se que o medicamento poderia ser incorporado no SUS sem riscos graves.
A proposta é transformar um uso popular consolidado em um medicamento com padrão farmacêutico, controle de qualidade e comprovação científica.
Esse modelo também cria um precedente para novos projetos baseados na biodiversidade brasileira, com respeito às normas ambientais e sanitárias.
Fornecimento no SUS
Para atender às exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, foi firmada uma parceria entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos/Fiocruz.
Além disso, um Acordo de Cooperação Técnica foi assinado entre Farmanguinhos e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. O acordo busca estimular pesquisas e o desenvolvimento de novos fitoterápicos a partir da biodiversidade nacional.
Segundo a secretária nacional de Bioeconomia do ministério, Carina Pimenta, a iniciativa regular o conhecimento tradicional como tecnologia, integrando ciência, território e saúde pública dentro das normas vigentes.
Investimento
O projeto envolve um investimento de R$ 2,4 milhões. Os recursos serão aplicados na adequação de maquinário, compra de equipamentos e insumos, contratação de serviços, visitas técnicas e estudos laboratoriais.
O financiamento é do Fundo Global para o Meio Ambiente, por meio do projeto Fitoterápicos, implementado pelo Pnud e coordenado técnico pelo Ministério do Meio Ambiente.
Para a Fiocruz, o acordo amplia as condições para oferecer à população acesso seguro a medicamentos fitoterápicos, ao mesmo tempo em que estimula o uso sustentável da flora brasileira e fortalece a indústria farmacêutica nacional.
Usogra
A pesquisadora Maria Behrens, de Farmanguinhos/Fiocruz, explica que o fitoterápico atua em diferentes etapas da litíase urinária, condição específica pela formação de cálculos no trato urinário. Segundo ela, atualmente não há no mercado um medicamento que atue de forma integrada nessas fases.
“Atualmente não há no mercado um medicamento que atue de forma abrangente nessas fases”, disse ao O Povo .
O medicamento seguirá os protocolos farmacêuticos, com controle rigoroso desde a matéria-prima até o produto final.
A’ da Anvisa
Após a produção dos lotes-piloto, serão realizados estudos de estabilidade necessários para a submissão do produto à Anvisa. Esse processo é uma etapa obrigatória antes do registro e da produção em escala.
A expectativa é que o fornecido ao SUS ocorra em até dois anos, após a conclusão das análises regulatórias. O cronograma segue os parâmetros da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Além da disponibilização do medicamento, a iniciativa deve contribuir para toda a cadeia produtiva, da produção sustentável da planta ao desenvolvimento científico e industrial, com participação direta dos detentores dos saberes tradicionais.

A folha de quebra-pedra terá origem ao primeiro medicamento fitoterápico, que será distribuído pelo SUS – Foto: Canva







