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Imunoterapia faz câncer raro desaparecer em paciente brasileiro

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Monique de Carvalho

Rodrigo é um paciente oncológico e viu a vida mudar completamente após a imunoterapia. O cãncer desapareceu em poucas semanas - Foto: arquivo pessoal

Rodrigo é um paciente oncológico e viu a vida mudar completamente após a imunoterapia. O cãncer desapareceu em poucas semanas – Foto: arquivo pessoal

O profissional de Educação Física Rodrigo Bulso, de 33 anos, teve regressão significativa de um melanoma raro e avançado após iniciar imunoterapia. Em menos de três meses, exames mostraram desaparecimento de tumores em alguns órgãos e redução em outros. A resposta ao tratamento foi considerada acima do esperado.

O caso começou a ser acompanhado após uma dor nas costas levar à descoberta de uma fratura causada por metástases de melanoma. Exames iniciais indicavam tumores espalhados por diferentes órgãos, caracterizando um quadro avançado.

Agora, o paciente comemora o sucesso do tratamento. Novos exames mostram desaparecimento completo de algumas lesões e redução em outras, resultado considerado acima do esperado pela equipe médica.

O que é imunoterapia e como ela funciona?

A imunoterapia é um tipo de tratamento que estimula o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas.

No melanoma, esse tipo de abordagem costuma ter bons resultados porque o tumor apresenta muitas mutações. Isso facilita a identificação das células doentes pelo organismo.

Os medicamentos usados removem bloqueios naturais do sistema imunológico, permitindo que ele reaja contra o câncer.

Quais foram os resultados dos exames?

Pouco tempo depois do início do tratamento, Rodrigo já mostrava melhora e isso foi comprovado nos exames que ele fez, Segundo os médicos responsáveis, os primeiros testes mostraram mudanças importantes em curto prazo:

  • Desaparecimento de nódulos nos pulmões
  • Resolução de lesões no intestino
  • Ausência de alterações nos rins
  • Redução de tumores no fígado, ossos e linfonodos

Além disso, houve queda no SUV, indicador que mede a atividade tumoral com base no consumo de glicose pelas células.

No cérebro, as lesões também diminuíram e não surgiram novas áreas afetadas.

O que mudou na rotina do paciente após a imunoterapia

Além dos resultados nos exames, houve mudanças na rotina. Rodrigo voltou a frequentar a academia, recuperou peso e retomou atividades físicas.

Segundo o paciente, alguns efeitos colaterais apareceram, mas nada que atrapalhasse a rotina. Rodrigo apontou coceira na pele, um quadro considerado comum nesse tipo de tratamento.

Ele afirma que, atualmente, se sente como se não tivesse a doença, embora o acompanhamento médico continue.

O tratamento segue agora com uma nova fase. Após o uso combinado de dois medicamentos, o protocolo passa a ser feito com apenas um imunoterápico, em doses maiores e com intervalos mais espaçados.

A imunoterapia está disponível no SUS

Apesar dos avanços, o acesso à imunoterapia ainda é limitado na rede pública. O Sistema Único de Saúde (SUS) prevê esse tipo de tratamento principalmente para casos avançados de melanoma, mas a oferta não é uniforme.

A disponibilidade depende de fatores como estrutura local e financiamento. O modelo atual de custeio da oncologia, baseado em valores fixos por procedimento, dificulta a incorporação de medicamentos de alto custo.

Diante desse cenário, parte dos pacientes busca alternativas como ações judiciais, participação em estudos clínicos ou atendimento na rede privada para ter acesso ao tratamento.

O que é melanoma amelanótico?

O melanoma amelanótico é um tipo mais raro de câncer de pele.

Diferente do melanoma comum, ele não produz melanina, o que significa que não apresenta manchas escuras visíveis. Isso pode dificultar o diagnóstico precoce.

Em muitos casos, a doença só é identificada quando já está em estágio mais avançado.

A resposta ao tratamento é comum?

Nem todos os pacientes respondem da mesma forma à imunoterapia.

No entanto, o melanoma é um dos tipos de câncer que mais apresentam bons resultados com esse tratamento.

Respostas rápidas, com regressão significativa em poucos ciclos, são vistas como sinais positivos de controle da doença.

Rodrigo Bulso, 33, descobriu um melanoma amelanótico com múltiplas metástases — Foto: Arquivo Pessoal

Rodrigo Bulso, 33, descobriu um melanoma amelanótico com múltiplas metástases — Foto: Arquivo Pessoal

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