terça-feira, 27/02/2024
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Indígenas foram assassinados a tiros e tiveram os corpos cortados por garimpeiros, diz Associação

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YANOMANI

“Currutela” no alto Catrimani, além de pista de pouso clandestina. Aeronaves dão suporte à atividade. — Foto: Divulgação/HAY

Vítimas foram assassinadas com tiros no rosto e tiveram os corpos cortados, segundo relato de indígenas à Júnior Hekurari, presidente da Urihi Associação Yanomami.

Dois indígenas Yanomami foram assassinados a tiros por garimpeiros na Terra Indígena Yanomami, divulgou a Urihi Associação Yanomami (UAY) nesta sexta-feira (5). As mortes ocorreram na região do Alto Catrimani, em uma área de garimpo conhecida como pista Kapixaba.

As vítimas foram assassinadas com tiros no rosto e tiveram os corpos cortados, segundo relato de indígenas à Júnior Hekurari, presidente da Associação. As mortes ocorreram na última terça-feira (2). Os suspeitos teriam fugido, mas ainda há outro grupo de invasores fortemente armado na região.

Um ofício sobre o caso foi enviado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Ministério Público Federal (MPF), Ministério dos Povos Indígenas, Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Exército Brasileiro e Polícia Federal. O g1 procurou os órgãos e aguarda retorno.

    “Isso demonstra a falha muito grande na parte de segurança do governo, do Brasil. Por isso, nós estamos sofrendo na mão dos garimpeiros nas nossas casas […] Somos reféns dessa situação de brasileiros maltratando outros brasileiros que moram na floresta”, disse Hekurari ao g1.

Um dos corpos foi cremado, devido aos costumes do povo Yanomami, e outro permanece na floresta. Ainda conforme o relato, os corpos foram encontrados pelo cunhado de uma das vítimas.

No documento, a associação cobrou providências e pediu que a Polícia Federal (PF) seja enviada para o território para retirar o corpo e levar à autópsia. Além disso, solicitou que o caso seja investigado e que os culpados sejam punidos.

O Alto Catrimani é uma das regiões mas impactadas pelo garimpo ilegal. Um relatório divulgado em 2022 pela Hutukara Associação Yanomami mostrou que a pista do Kapixaba concentrava as maiores acampamentos e estruturas de apoio ao garimpo na região, como bares, mercearias e prostíbulos.

Terra Yanomami

Maior território indígena do Brasil, a Terra Indígena Yanomami passa por uma grave crise humanitária e sanitária em que dezenas de adultos e crianças sofrem com desnutrição grave e malária. Desde o dia 20 de janeiro de 2023, a região está em emergência de saúde pública.

Alvo há décadas de garimpeiros ilegais, o maior território indígena do Brasil enfrentou nos últimos o avanço desenfreado da atividade ilegal no território. Em 2022, a devastação chegou a 54%. O governo Federal deflagrou operações para combater a atividade, mas os invasores tem retornado ao território.

A invasão do garimpo predatório, além de impactar no aumento de doenças no território, causa violência, conflitos armados e devasta o meio ambiente – com o aumento do desmatamento, poluição de rios devido ao uso do mercúrio, e prejuízos para a caça e a pesca, impactando nos recursos naturais essenciais à sobrevivência dos indígenas na floresta.

Crédito:G1 RR  

Fonte: Folha de Colider

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