terça-feira, 16/04/2024
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LEPODISIRAN: remédio de dose única reduz colesterol ruim em 94%; entenda

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Lepodisiran manteve níveis de lipoproteína(a) indetectáveis por quase um ano

Rodrigo Mozelli / Olhardigital

Imagem: Dilok Klaisataporn/Shutterstock

Pesquisadores conduziram os primeiros testes em humanos com o lepodisiran, nova droga que promete, com apenas uma aplicação, reduzir a lipoproteína(a), o chamado colesterol ruim com base genética.

A medicação consegue manter o nível do colesterol indetectável por quase um ano, destaca o New Atlas. Ela tem potencial para eliminar um grande fator de risco para ocorrência de doenças cardiovasculares, que, atualmente, não têm cura.

A lipoproteína(a), ou Lp(a), divide algumas características com o colesterol low-density lipoprotein (LDL, ou lipoproteína de baixa densidade, em português).

Assim como o LDL, a Lp(a) causa o surgimento de placas nas artérias, reduzindo o bombeamento de sangue para coração, cérebro e outras partes do corpo, aumentando as chances de doenças cardiovasculares.

Porém, como os níveis altos de Lp(a) são herdados geneticamente, não são tão afetados por exercícios, dietas ou medicações, não havendo tratamento conhecido atualmente.

Medicamento promissorntra o colesterol ruim

  • Os pesquisadores conduziram os testes do lepodisiran a partir de simples injeção;
  • Ela reduz os níveis de Lp(a) interferindo no mecanismo de produção;
  • “Como se detém um fator de risco que é majoritariamente genético? Uma das abordagens mais efetivas é interferir no gene, e é isso que o lepodisiran e outras novas terapias são desenvolvidas para fazer”, disse Steven Nissen, principal autor da pesquisa.

Lepodisiran

O Lepodisiran é um small interfering RNA (siRNA, ou pequena interferência de RNA, em português literal) que desativa o RNA mensageiro envolvido naprodução de apolipoproteína, componente essencial para a montagem de partículas de Lp(a) sintetizada no fígado.

A droga, então, gruda no açúcar N-Acetylgalactosamina (GalNAc), que o permite que ela seja carregada às células do fígado que possuem receptores GaINAc.

Estudo

De 48 voluntários com níveis anormais de Lp(a), 12 foram, aleatoriamente, tratadas com placebo, com os demais 36 recebendo dose única de lepodisiran. Dos 36, seis receberam, aleatoriamente, diferentes doses da droga: 4mg, 12 mg, 32 mg, 96 mg, 304 mg ou 608 mg.

Após três dias de monitoramento, os participantes foram liberados. Exames de sangue subsequentes foram realizados 48 semanas após o tratamento. Nenhum deles possui doenças do coração preexistentes.

Os cientistas identificaram que os níveis de sangue da medicação subiram rápido, com pico de 10,5 horas, e voltou ao nível normal em 48 horas, muito por ter sido expelido rapidamente da corrente sanguínea para o fígado.

Com a maior dose de lepodisiram, 608 mg, os níveis de sangue de Lp(a) caíram a níveis indetectáveis no 29º dia. Os níveis permaneceram indetectáveis entre os dias 29 e 281 e, então, subiram gradativamente, com redução mediana dos níveis de Lp(a) para 94% abaixo do nível-base em 48 semanas.

Doses menores do medicamento produziram efeitos de curta duração, enquanto os níveis de Lp(a) ficaram 75% abaixo durante 48 semanas para os que receberam a dose de 304 mg. O lepodisiran foi bem-tolerado.

Em nossa opinião, esta terapia é muito promissora. Esses dados indicam que o lepodisiran é seguro e que sua eficácia na redução da Lp foi profunda, com eliminação quase total, que durou muito tempo. Saberemos mais após o estudo da Fase 2, que está em andamento.Steven Nissen, principal autor da pesquisa

A Fase 2 de testes clínicos está testando a droga em pessoas com níveis de Lp(a) altos e com alto risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC).

Se novos ensaios mostrarem que este medicamento [lepodisiran] é seguro e pode reduzir ataques cardíacos e AVC, seria boa notícia para os pacientes, porque elimina fator de risco que não conseguimos tratar. Este medicamento pode ser uma injeção anual semelhante a uma vacina para pessoas com níveis elevados de Lp(a).Steven Nissen, principal autor da pesquisa

O estudo foi financiado pela Eli Lilly and Company, foi apresentado nas Sessões Científicas da American Heart Association 2023 e publicado na JAMA.

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