sábado, 02/03/2024
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Norte, Nordeste e Centro-Oeste podem perder 40% da água até 2040

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O alerta faz parte de um estudo da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

Por Alessandro Di Lorenzo, editado por Bruno Capozzi 

Imagem: Chakkaphong wanphukdee/Shutterstock

água é fundamental para a nossa sobrevivência e os alertas de escassez do recurso não são uma novidade. Mas o cenário pode ser ainda mais preocupante. E isso não está tão distante assim. Dados apontam que se não houver um freio nas mudanças climáticas, as regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste do Brasil podem ter uma perda de até 40% da água disponível para uso em 2040.

Rios podem secar

  • O alerta faz parte do estudo “Impacto das Mudanças Climáticas nos Recursos Hídricos do Brasil”, desenvolvido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
  • A entendida observa que a falta de água causará um aumento substancial no número de trechos de rios intermitentes (que secam na época de estiagem), principalmente perto das cabeceiras.
  • E isso poderia gerar situações críticas semelhantes à ocorrida no ano passado, durante a seca histórica na amazônia.
  • As informações são da Folha de São Paulo.
Partes de rios irão secar e haverá escassez de água em partes do Brasil no futuro, revela estudo (Imagem: BigDane/Shutterstock)

Grave risco de falta de água

O estudo projeta um futuro de altas emissões de carbono e mais de 4,5°C de elevação das temperaturas em relação às temperaturas do período anterior à Revolução Industrial (de 1850 a 1900). Isso significa que a humanidade não conseguiu fazer sua parte na luta contra o aquecimento global.

No entanto, mesmo em cenários mais otimistas, com menos carbono na atmosfera e um planeta não tão quente, foram observadas diminuições de 20% nos níveis de rios nestas regiões.

Na situação mais alarmante haverá grave risco de falta de água para a população das regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, especialmente no semiárido, com prejuízo no abastecimento de cidades, na geração de energia hidrelétrica e na agricultura, além de riscos para a saúde.

No Sul, por outro lado, a tendência é de um aumento de, em média, 5% da disponibilidade hídrica em 2040. Apesar disso, isso não será constante, o que significa que muitas vezes a maior quantidade de água se dará em razão de eventos climáticos extremos, como cheias e inundações, o que está longe de ser uma boa notícia.

Já em relação ao Sudeste, devido a uma maior incerteza quanto à ocorrência de chuvas nos modelos climáticos utilizados, as mudanças não são tão claras quanto no restante do país, embora exista uma preponderância de cenários mais secos.

O estudo foi elaborado por meio de um amplo conjunto de dados climáticos, tanto do presente quanto projetados para o futuro, e de modelagem hidrológica, usada para obter as vazões das bacias. Como resultado, foram produzidos cenários futuros de disponibilidade hídrica para mais de 450 mil trechos de rios brasileiros, considerando três horizontes temporais: de 2015 a 2040, de 2041 a 2070, e de 2071 a 2100.

Foram analisados critérios como níveis de precipitação, evapotranspiração (evaporação da água impulsionada pelas altas temperaturas), disponibilidade hídrica (água disponível para uso, que é outorgada pela ANA) e variação da vazão (volume de água que passa pelos rios).

De acordo com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, os resultados do estudo devem ser incluídos no novo plano nacional de adaptação às mudanças climáticas, que está sendo elaborado pelo governo federal e deve ser divulgado no segundo semestre de 2024. Entre as medidas de adaptação possíveis estão, por exemplo, a adoção de sistemas de irrigação mais eficientes e até mesmo de cultivos que sejam menos dependentes de grandes quantidades de água.

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