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O OURO TEM PREÇO, MAS DESTRUIÇÃO NÃO: missão indígena leva denúncias a três países e cobra responsabilidade internacional

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A delegação da turnê “O Verdadeiro Custo do Ouro” reuniu o Cacique Megaron Txucarramãe, Alessandra Korap Munduruku, Beptuk Metuktire e Cacica Juma Xipaia, acompanhados pelo Greenpeace.

Lideranças dos povos Mẽbêngôkre, Munduruku e Xipaya percorreram França, Países Baixos e Bélgica para denunciar os impactos do garimpo ilegal na Amazônia e cobrar maior responsabilidade de governos, empresas e instituições financeiras que participam da cadeia global do ouro.

A comitiva, formada por Alessandra Korap Munduruku, Cacique Megaron Txucarramãe, Beptuk Metuktire e Cacica Juma Xipaia, apresentou três reivindicações centrais: rastreabilidade e transparência na comercialização do ouro, proteção dos territórios indígenas e apoio direto às organizações que atuam na defesa da floresta.

Ouro ilegal movimentou R$ 18,4 bilhões

A mobilização tem como base o relatório “Lavagem de Ouro na Amazônia: Anatomia de uma Fraude”, do Greenpeace Brasil. O estudo identificou irregularidades em 187 processos minerários nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia.

Segundo a investigação, cerca de 25,3 toneladas de ouro, avaliadas em aproximadamente R$ 18,4 bilhões, foram associadas a permissões de lavra com indícios de fraude.

O relatório aponta que o ouro extraído ilegalmente pode receber documentação de áreas autorizadas, tornando sua origem aparentemente legal e facilitando sua entrada no mercado formal.

Garimpos fantasmas e fraudes

Entre as irregularidades encontradas estão os chamados “garimpos fantasmas”, que registram produção de ouro sem apresentar sinais reais de atividade minerária.

Também foram identificados agrupamentos de permissões que operam como grandes complexos industriais, apesar de estarem formalmente divididos em diferentes processos minerários.

Saúde e meio ambiente em risco

As lideranças destacaram os impactos do mercúrio utilizado na extração do ouro. O metal contamina rios, peixes e comunidades indígenas.

Dados citados durante a missão mostram que mais da metade dos rios avaliados na sub-bacia do Tapajós apresentaram níveis de mercúrio acima dos limites permitidos. Em estudo com gestantes Munduruku, 98,5% apresentaram concentração do metal acima do considerado seguro.

Além dos danos ambientais, a comitiva denunciou problemas como violência, insegurança alimentar, exploração sexual e tráfico de pessoas associados ao avanço do garimpo ilegal.

Cobrança por rastreabilidade e apoio aos povos indígenas

Durante encontros com autoridades europeias, parlamentares e organizações internacionais, as lideranças defenderam mecanismos mais rigorosos de controle da origem do ouro, auditorias independentes e responsabilização de compradores, refinarias e exportadores.

A delegação também pediu que recursos internacionais destinados à conservação ambiental sejam direcionados diretamente às organizações indígenas que atuam na proteção dos territórios.

Responsabilidade compartilhada

Ao final da missão, a mensagem deixada pela comitiva foi clara: a responsabilidade pelos impactos do garimpo não termina na Amazônia. Para as lideranças, países consumidores, empresas e instituições financeiras também devem responder pelos danos causados ao longo da cadeia do ouro.

Segundo os representantes indígenas, proteger a floresta exige transparência desde a origem do minério, fiscalização efetiva e apoio permanente às comunidades que vivem e preservam os territórios amazônicos.

Redação Folha de Colider / Com Instituto Raoni

Fotos: reprodução