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Pirarucu atrai pescadores e impulsiona turismo em rio de Mato Grosso

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Espécimes com mais de 100 kg impulsionam o pesque-e-solte e movimentam a economia do ecoturismo na região

Pirarucu atrai pescadores e impulsiona turismo no Rio Araguaia
Presença de peixes gigantes reforça a rica biodiversidade do Rio Araguaia e atrai turistas de todo o país. Foto: Rodolfo Pongelupe

Por Wandell Seixas

goias@ruralnews.agr.br Instagram Linkedin

O Rio Araguaia é um dos cursos dágua mais importantes do Brasil, percorrendo 2.114 km entre os estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Conhecido por sua rica biodiversidade, praias de areia alva e pesca abundante, o rio abriga também a Ilha do Bananal — a maior ilha fluvial do mundo. Entre a rica fauna aquática da região, o pirarucu é a espécie que mais chama a atenção dos turistas pelo seu porte monumental.

A chamada “temporada de praia”, que ocorre durante as férias escolares de julho, atrai milhares de visitantes para cidades como Aruanã (GO), Barra do Garças (MT) e Luís Alves (GO), movimentando o ecoturismo. É nesse cenário que os peixes gigantes reforçam o ecossistema local e atraem praticantes da pesca esportiva de todo o país.

O “bacalhau da Amazônia” adaptado ao Araguaia

Diferentes espécies dominam as águas do Araguaia, como o pacu, a piranha, o mandi e o piau, além de peixes de grande porte como a pirarara, o jaú e a piraíba. Contudo, o pirarucu se sobressai tanto pelo tamanho quanto pelo valor gastronômico, sendo frequentemente comparado ao bacalhau.

Seu nome tem origem em dois termos da língua tupi: pirá (peixe) e uruku (urucum, em referência à cor avermelhada de sua cauda). Além de ser uma atração visual, a carne do pirarucu é altamente valorizada:

Nutrição de alta qualidade: É uma carne nobre, saborosa, rica em proteínas, ômega-3, fósforo e magnésio.

Baixa caloria: Possui pouca gordura, fornecendo apenas 160 kcal por porção de 100g.

Versatilidade: Pode ser consumido fresco ou salgado, adaptando-se bem a pratos grelhados, assados ou cozidos.

Pesca esportiva e preservação ambiental

Por sofrer com os impactos da pesca predatória no passado, o pirarucu hoje conta com forte proteção legal. Embora normativas do Ibama autorizem o abate da espécie em onze bacias específicas pelo país quando manejadas, em Goiás as leis estaduais de pesca são rigorosas e exigem a devolução imediata do peixe à água.

Elias Leite da Silva, barqueiro veterano que atua no porto fluvial de Aruanã, conhece bem a dinâmica do rio e guia os turistas pelos melhores pontos. Segundo ele, a conscientização ambiental mudou o comportamento na região: “Hoje há um pega e solta danado quando se trata do pirarucu”, relata o guia.

Essa mentalidade de preservação rendeu frutos. Em abril de 2026, guias locais registraram a captura de exemplares gigantescos com mais de dois metros de comprimento e que passavam facilmente dos 100 kg nas proximidades de Nova Crixás e Aruanã. Na modalidade de pesque e solte, os pescadores valorizam a experiência de registrar o momento em fotos e vídeos, garantindo a sobrevivência do “monstro da água doce” e a sustentabilidade do turismo no Araguaia.