sábado, 24/02/2024
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Soja e arroz entram no Sistema de Classificação de Terras para Irrigação

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A Embrapa lançou recentemente a terceira versão do Sistema Brasileiro de Classificação de Terras para Irrigação (SiBCTI), agora disponível em todas as regiões do Brasil e capaz de fornecer informações sobre 16 culturas agrícolas, incluindo a soja e o arroz.

Além disso, o SiBCTI é capaz de avaliar a aptidão e o potencial das terras para o desenvolvimento de culturas sob diferentes tecnologias de irrigação.

O pesquisador da Embrapa, Fernando Cezar do Amaral, explica que o SiBCTI pode indicar a viabilidade técnica e econômica de diferentes sistemas de irrigação em determinadas regiões, com base nas características do solo e do sistema de irrigação.

Por exemplo, para a cultura do arroz, Amaral aponta a inviabilidade econômica da irrigação localizada em solos com baixa condutividade hidráulica no horizonte superficial, devido à grande quantidade de tubos gotejadores necessários. Em contraste, a irrigação por aspersão utilizando pivôs de irrigação pode ser mais lucrativa em certas regiões.

Para a cultura da soja, a irrigação pode trazer maior segurança de retorno econômico, ao mesmo tempo em que facilita os tratos culturais e permite o uso de variedades precoces para antecipar os plantios de milho e soja, abrindo a possibilidade de um terceiro cultivo.

Os pesquisadores que desenvolveram o SiBCTI afirmam que seu uso adequado pode evitar que terras inadequadas para irrigação sejam incluídas no processo produtivo, minimizando o impacto ambiental e a perda de recursos financeiros.

Além disso, a ferramenta possibilita o uso racional da água nos processos de irrigação e previne a salinização dos solos manejados.

O SiBCTI pode servir como base para projetos de irrigação e colaborar com a execução de políticas públicas, em especial para a implementação da Política Nacional de Irrigação, conduzida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que tem como principal diretriz a indução à eficiência no uso de recursos hídricos para o setor agropecuário.

O sistema está disponível à sociedade por meio de um software.

Semiárido motivou a tecnologia

A primeira versão do SiBCTI era específica para o Semiárido e foi lançada em 2005, fruto da cooperação entre Embrapa e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e com apoio de diversas instituições e profissionais das áreas de pedologia e irrigação.

Entretanto, a segunda versão, entregue à sociedade em 2012 e ainda voltada apenas ao Semiárido, trazia atualizações e ampliações no banco de dados e novas funcionalidades relacionadas a potencial e limitações dos elementos solo, água e cultura vegetal, com avanços na estrutura de tecnologia da informação, o que permitiu o acesso às informações em ambiente web.

A partir de 2016, contando com o apoio e financiamento do Ministério da Agricultura e Pecuária, um grupo de trabalho liderado pela Embrapa Solos (RJ) deu início à formulação da versão nacional do SiBCTI, para abarcar todas as regiões brasileiras e ampliar o número de culturas, inserindo café, arroz e soja no rol que já contava com acerola, banana, cana-de-açúcar, capim-elefante, cebola, coco, feijão, goiaba, manga, melancia, melão, milho e uva.

A terceira versão completa foi disponibilizada em abril deste ano.

Café, arroz e soja na versão nacional

“Quando fomos procurados por técnicos do Ministério da Agricultura para aprofundar e ampliar o sistema, nós sugerimos três culturas: café, soja e arroz, que estão entre as mais cultivadas fora do Semiárido. Somente no Rio Grande do Sul, o arroz tem mais de um milhão de hectares irrigados, e grande abrangência também em Santa Catarina. A soja, apesar de não ter uma área irrigada tão grande, é a principal cultura brasileira. E o café irrigado está crescendo muito no País. Durante nossa campanha pelo Cerrado Mineiro, observamos que as lavouras de café onde era utilizado o pacote tecnológico com irrigação e colheita mecanizada eram muito rentáveis, enquanto as tradicionais vinham registrando prejuízos”, explica Fernando Amaral.

Utilização do sistema

Estando sem pendências e sem valores anormais, o programa cruza todos os dados relacionados aos diferentes planos de informação (solo x cultura vegetal x qualidade e custo da água x sistema de irrigação) e apresenta a classificação final indicada para aquela situação apresentada pelo usuário.

As informações solicitadas são 18 parâmetros relacionados ao solo, como profundidade, quantidade de cálcio e magnésio, pH do solo medido em água, capacidade de água disponível, condutividade elétrica, mineralogia da argila, posição na paisagem, topografia, condutividade hidráulica, velocidade de infiltração básica, pedregosidade e rochosidade; além de parâmetros relativos à qualidade e ao custo de captação da água para irrigação, relação ou razão de adsorção de sódio, distância da captação d’água e presença de boro, ferro e cloreto.

“Um dos planos de informação inclui ainda as variáveis relacionadas às características das plantas de cada uma das 16 variedades habilitadas no sistema. A classificação é feita analisando as limitações do ambiente, especificamente a cada cultura vegetal e a cada sistema de irrigação. A metodologia conta ainda com uma classificação generalizada, que se aplica bem aos estudos de pré-viabilidade e a levantamentos de solo, de menor escala ou mais generalizados”, acrescenta Amaral.

Para facilitar a operação do sistema foram elaborados um manual de métodos dos parâmetros exigidos pelo sistema e um documento que detalha os valores e intervalos de todos os parâmetros solicitados pelo software por cultura agrícola e método de irrigação.

O SiBCTI pode ser acessado clicando aqui.

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