
O chamado jogo do “Tigrinho” deixou de ser apenas uma aposta virtual para se transformar em um dos mais perigosos vícios da atualidade. Disfarçado de entretenimento inofensivo, ele avança de forma silenciosa e devastadora, corroendo finanças, destruindo o equilíbrio mental e rompendo laços sociais e profissionais. Seus efeitos se assemelham aos de uma doença crônica: progressivos, compulsivos e, muitas vezes, irreversíveis.
Da Redação
Em Mato Grosso, um caso sob investigação da Polícia Civil ilustra com clareza o tamanho do estrago. Em Sorriso Norte de MT, uma funcionária de confiança, responsável pelo setor administrativo de uma empresa, confessou ter desviado valores para alimentar o vício no jogo online. O que começou com uma quantia aparentemente “controlável” evoluiu para um rombo superior a R$ 1,3 milhão, envolvendo transferências sucessivas e atingindo não apenas a empresa, mas famílias inteiras. Parte do dinheiro foi devolvida, mas o dano moral, psicológico e social permanece.
O padrão é conhecido por especialistas em dependência: o jogador perde, tenta recuperar, perde novamente e passa a agir movido pelo desespero. A razão cede lugar à compulsão. A culpa surge, mas não interrompe o ciclo. Pelo contrário, empurra o indivíduo para atitudes cada vez mais graves, incluindo mentiras, endividamento extremo, desvio de recursos e crimes patrimoniais.
No aspecto mental, o “Tigrinho” provoca ansiedade, insônia, depressão e isolamento. O jogador passa a viver em função do próximo giro, da próxima aposta, da falsa esperança de que “agora vai dar certo”. Socialmente, o rastro é de desconfiança, relações destruídas e reputações manchadas. Profissionalmente, empregos e negócios são colocados em risco.
O mais alarmante é que esse tipo de jogo está a poucos cliques de distância, acessível 24 horas por dia, sem filtros, sem alertas eficazes e sem a real noção de perigo. A promessa de dinheiro fácil funciona como isca, especialmente em momentos de fragilidade emocional ou financeira.
O avanço descontrolado dos jogos de aposta online exige atenção imediata das autoridades e da sociedade. O vício não escolhe classe social, profissão ou nível de instrução. Onde entra, deixa marcas profundas. Ignorar o problema é permitir que mais histórias de ruína financeira, sofrimento psicológico e colapso familiar se repitam.
O “Tigrinho” não é apenas um jogo. Para muitos, tornou-se uma armadilha — e, para outros tantos, um caminho sem volta.
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