segunda-feira, 04/03/2024
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Candidaturas, partidos e democracia

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         Fala-se na possibilidade de termos onze ou doze candidatos à presidência da República em 2022. Mas, se analisado pelo simples critério da possibilidade legal, poderiam ser até 33 concorrentes, pois este é o número de partidos registrados e Adesembaraçados junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Essa diversidade de postulação em nada favorece o processo, tanto que há também quem reclame da impossibilidade das candidaturas avulsas, sem filiação partidária.

         Aquelas em que o cidadão não representa ninguém,  pois é candidato de si próprio. Nada é mais frágil no atual quadro do que a pretendida terceira via teoricamente pretendida pelo ex-juiz Sérgio Moro e pelo governador de São Paulo, João Dória, que evitam conversar sobre um deles abrir m&at ilde;o e apoiar o outro. É esse personalismo e excessiva autovalorização que tornam praticamente natimorta a alernativa aos dois polarizados de direita (Bolsonaro) e esquerda (Lula).

           Outros supostos dissidentes do binário dominante também não desistirão e poderão se apresentar como candidatos inviáveis desde o lançamento, mas presentes nas urnas.
Não é preciso observar que a falta de articulação entre os ditos dissidentes favorece aos líderes polarizados que, mais uma vez, farão o segundo turno. E o quadro mostra apenas uma desconfortável verdade: os partidos políticos abrem a possibilidade burocrática, mas não sustentam candidaturas. São a cristalização de algo que, ao longo dos anos, foi engendrado para favorecer quem já estava no poder e os grupos articulados da política, independente de partido ou ideologia.

            É por isso que Bolsonaro reúne a direita e Lula a esquerda e ambos buscam beliscar o mais que puderem do centro. E, para isso, é preciso negociar a única moeda presente no momento de expectativa, ou seja, a participação no futuro governo e, até, o controle de importantes setores estatais.
Os partidos restringem-se a ser “cartórios” para a oficialização de candidaturas e para executar essa tarefa são muito bem remunerados pelas polpudas verbas do fundo partidário e do fundão eleitoral, que os tornam presas de políticos fracassados ou nem decolados, que vivem à sua sombra ou até a custas.

              Melhor seria que atuassem como verdadeiros clubes, sustentados pela anuidade de seus filiados e fossem atuantes definidores de ações e estratégias políticas. Jamais deveriam ter donos para gozar de seus recursos (públicos) e nem para potencializar negociações fora dos objetivos partidários.
É a falta de representatividade que levou muitos dos partidos à inexistência e até à extinção mediante a fusão com dois, três ou outros mais que também enfrentavam dificuldades de sobrevivência. De outro lado, observemos que quando o partido tenta se impor, é podado pelo seu filiado que se encontra no poder, pois essa não é a expectativa que os filiados fazem sobre a agremiação.

O próprio presidente Bolsonaro deixou o PSL quando seus líderes tentaram interferir no governo, e tomou muito cuidado para recentemente optar pela filiação ao PL, seu atual partido. Deve ter imposto suas condições, a principal delas, o partido não meter-se no governo.

            Já, o Partido dos Trabalhadores, com grande vida orgânica antes de chegar ao poder, teve participaç&at ilde;o ativa nos tempos de Lula e Dilma, a ponto de ter se envolvido nos atos de corrupção que derrubaram o governo.
Os interessados na reforma do Estado – que são necessárias – não podem esquecer da conveniência de, nas alterações da estrutura política, rever o instituto da reeleição para cargos executivos (criada para favorecer quem estava no poder) e o segundo turno (que potencializa os grandes e impede que alguém dispare sazonalmente).

Todas as artimanhas criadas para fragilizar a disputa e o surgimento de novas lideranças devem ser removidas e os partidos normatizados e estruturalmente fortalecidos para não serem apenas os catalizadores das verbas dos fundões e se tornarem efetivas máquinas de prática política. Sem reformas desse padrão, a democracia brasileira nunca deixará de ser relativa, como é e sempre foi…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
aspomilpm@terra.com.br

 

Imagem destaque/divulgação

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