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NORTÃO: Conflito em Novo Mundo já registra 12 mortes

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Conflito agrário em Novo Mundo já registra 12 mortes; Advogado teme massacre de sem-terras

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Conflito agrário em Novo Mundo já registra 12 mortes; Advogado teme massacre de sem-terras

           Uma área com mais de 380 mil hectares de terras da União está fazendo a região de Novo Mundo (distante 758 km de Cuiabá) viver em estado de sítio por causa de um conflito entre posseiros e integrantes do Movimento Sem Terra (MST). O caso é longo, começa em 1999 e de lá pra cá, segundo levantamento de um advogado que trabalha na defesa do MST, pelo menos 12 sem-terras já foram assassinados a mando de posseiros.

 A morte mais recente aconteceu em 22 de fevereiro, no centro da cidade de Guarantã do Norte. Um homem identificado como “Adir Caatinga” estava voltando de uma audiência sobre conflito agrário. Ao atravessar a avenida principal da cidade, foi executado por um motoqueiro, que atirou três vezes, acertando um tiro na cabeça.  

Caatinga era um dos líderes do MST na região. Segundo o advogado Rubens Moreno Rubior Júnior, esse homicídio foi ato de pistolagem, pois aconteceu um dia após a invasão de dez homens na fazenda Araúna, em Novo Mundo.

“O que acontece é o seguinte: os posseiros temem perder as terras para quem é do MST. Eles procuram os líderes para matar. De 1999 até hoje, 12 já morreram na região de Novo Mundo e Guarantã. Mataram o Adir com três tiros.

O fato aconteceu um dia após a invasão de jagunços armados e mascarados na fazenda em que o povo do Sem Terra estava. Eles procuravam o Tonhaca, que conseguiu fugir. Como não o encontraram, logo atearam fogo e destruíram o acampamento. Aquilo ali, se não for resolvido logo, pode ser uma nova Eldorado dos Carajás, onde teve banho de sangue. Os posseiros estão sedentos”, disse o advogado, em entrevista ao HiperNotícias.

                Tonhaca, que foi citado na fala do advogado, é Antonio Bento, líder de 150 famílias que estavam acampadas na Fazenda Araúna e que foram expulsas a força no dia 21 de fevereiro. Conforme o boletim de ocorrência nº 2016.59662, dez homens com camisas da Polícia Civil, mascarados e com armas de grosso calibre, atearam fogo em três veículos (dois carros e uma moto) e também nos barracos que serviam de abrigo aos sem-terra.

Policiais militares e civis ficaram no local do atentado por mais duas horas após a saída dos pistoleiros, porém eles não retornaram.

“Segundo um integrante do MST, os homens armados disseram que iriam voltar, mas não cumpriram. Nós fizemos buscas, fomos até a sede da fazenda Araúna, mas nada foi encontrado. Mediante a situação, começamos a investigar e o caso logo foi repassado para a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), de Cuiabá, que mantém o fato em sigilo”, explicou o delegado Ronan Gomes Vilar.

Outro ponto que chama atenção, e está registrado no B.O., é que os pistoleiros  diziam a todo o momento que estavam cumprindo ordens do coronel Airton Benedito Siqueira Junior, chefe do Comitê de Conflitos Agrários e chefe da Casa Militar do Governo de Mato Grosso.

O delegado Ronan, que comandou as primeiras investigações do caso, disse acreditar que o nome do coronel Siqueira foi utilizado pelos bandidos apenas para desviar o motivo do crime.

“Acredito na índole do coronel e sei que não é dele esse negócio de mandar matar ou queimar acampamento. Por ele ser o chefe do comitê de conflitos, usaram o nome dele. Mas nada está provado”, disse o delegado.

 O advogado Rubens Moreno garantiu que esse tipo de ato criminoso foi comandado por um homem identificado apenas como “Agnaldo”, morador de Sinop. Ainda segundo o advogado, o ato também foi planejado por um fazendeiro chamado Marcelo, que já contratou jagunços para atuar contra o Movimento Sem Terra no passado.

“Hoje quem é do Movimento Sem Terra é ameaçado constantemente. Fizeram essa arruaça, inclusive utilizaram o nome do coronel, mas é posseiro que manda matar. Esse Marcelo e o Agnaldo são os responsáveis. Eles queriam o Tonhaca, mas como não encontraram, colocaram fogo em tudo, inclusive mataram porcos, gansos, cachorros, tudo que estavam pela frente. Jogaram gasolina nas crianças, obrigaram as mulheres a correr. Foi uma loucura”, relatou o defensor.

Rubens conta que já foi ameaçado várias vezes e recebeu “avisos” sobre onde devia andar. Se houver um novo atentado contra os assentados, ele entrará com um habeas corpus na Justiça Federal pedindo que armas sejam liberadas para seus clientes. “Não falo em ato dente por dente, mas como vamos viver a mercê disso? Somos ameaçados constantemente”, comentou.

Um inquérito será instaurado para apurar as causas do conflito na Fazenda Araúna. A Polícia Judiciária Civil e a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) estão no local colhendo depoimentos e realizando a perícia. A Polícia Militar continuará na região para preservar a ordem.

              O Governo de Mato Grosso esclarece que a solução definitiva do problema é de responsabilidade do Governo Federal. No entanto, o Governo do Estado está trabalhando para evitar novos conflitos na região.

               O Governo Federal já foi informado sobre a situação pelo governo estadual no ano passado e foi acionado novamente depois do conflito. O Estado aguarda posicionamento da União acerca da participação das Forças Nacionais de Segurança no cumprimento das decisões da Justiça, bem como atitudes mais firmes para a inclusão de pessoas ameaçadas e vítimas de violência em razão de conflitos agrários no Programa Federal de Proteção de Testemunhas.

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