
Entre os presos estão seis policiais militares, seis vigilantes, dois mandantes, dois informantes e um gerente de uma empresa. Todos foram presos em Cuiabá e Várzea Grande
Luciene Oliveira | PJC-MTÂ
          Uma organização criminosa formada para prática de crimes de homicÃdios com fins meramente financeiros foi desarticulada na operação “Mercenáriosâ€, deflagrada na manhã da terça-feira (26.04), em ação conjunta da PolÃcia Judiciária Civil, PolÃcia Militar e Politec, com apoio da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).
A ação levou à  prisão de 17 membros da quadrilha, que tiveram os mandados de prisão temporária (30 dias) decretados pela 1ª Vara Criminal de Várzea Grande. Entre os presos estão seis policiais militares, seis vigilantes, dois mandantes, dois informantes e um gerente de uma empresa. Todos foram presos em Cuiabá e Várzea Grande.
 Na operação foram apreendidas 19 armas, possivelmente usadas nos crimes, como espingardas calibre 12, pistolas calibres 380 e 9mm, além de 658 munições. Vestimentas como camisetas, calças pretas e também roupas camufladas, capuz, luvas, placas de veÃculos, rádios comunicadores, veÃculo, entre outros, foram encontrados com os suspeitos.
Investigações   Â
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Conduzidas pela Delegacia Especializada de HomicÃdios e Proteção à Pessoa (DHPP), as investigações são oriundas de força-tarefa instituÃda em janeiro pela Sesp para esclarecimentos de homicÃdios dolosos considerados de alta complexidade e com caracterÃsticas semelhantes.
Os crimes, de acordo com a investigação, foram praticados pela organização criminosa formada com o objetivo de assassinar pessoas, não somente com antecedentes criminais, mas também sob encomenda, tendo como principal motivação o “comércio da morteâ€, e não o “exercÃcio de justiça privadaâ€, visto que além de indivÃduos que possuem passagens criminais, matavam de forma “mercenáriaâ€.
“Esta operação é resultado de uma ação integrada. As forças de Segurança Pública estão unidas para dizer que ninguém está acima da Lei”, ressaltou o secretário de Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas, em entrevista coletiva à imprensa.
Presos
As prisões temporárias foram cumpridas contra os investigados: José Francisco Carvalho Pereira, conhecido por “Cearáâ€, José Edimilson Pires dos Santos, Jefferson Fatimo da Silva; Claudemir Maia Monteiro (PM); Helbert de França Silva (PM); Claudiomar Garcia de Carvalho; Ueliton Lopes Rodrigues (PM); Pablo Plinio Mosqueiro Aguiar (PM); Vagner Dias Chagas (PM); Marcos Augusto Ferreira Queiroz;  Fernando Marques Boadaid; Edervaldo Freire; Jonathan Teodoro de Carvalho (PM); Deivison Soares de Amarante; Francisnilson Deivison; Roni José Batista e Diego Santos da Silva. Os dois últimos (Roni e Diego) são considerados informantes  da organização.
Execuções
Os suspeitos estão envolvidos em cinco inquéritos de homicÃdios, cujas mortes ocorreram neste ano, no dia 03 de março (vÃtima Cleiton Albuquerque de Magalhães, 27 anos, bairro Construmat); 13 de março (vÃtima Rodrigo Fernando de Arruda, 34 anos, bairro Manga); 20 de março (vÃtima Luciano Militão da Silva, 37 anos, bairro Construmat); 04 de abril (vÃtima Eduardo Rodrigo Beckert, 35 anos, Centro); e o triplo homicÃdio ocorrido no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, no dia 13 de abril, onde foram assassinados Márcio de Melo de Souza, 38 anos, W.O.P., 17 anos;  Vinicius Silva Miranda, 24 anos, e ferimento a bala de uma quarta pessoa. Â
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Conforme a apuração, os principais alvos da operação são: José Francisco Carvalho, o Ceará, José Edmilson Pires dos Santos, Helbert de França Silva, Ueliton Lopes Rodrigues; Jeferson Fátimo da Silva e Claudiomar Garcia de Carvalho, apontados como as pessoas que tiveram constante participação no planejamento e execução dos crimes e tidos como lÃderes frente aos demais envolvidos.
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Há suspeitas de que José Francisco Carvalho Pereira, conhecido por “Cearáâ€, seja responsável por mais de 60 execuções praticadas nos últimos dois anos.
Organização criminosa
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Relatório da investigação da DHPP, reforçado por perÃcias de locais de crimes da Politec, aponta que os estojos das munições encontrados nos homicÃdios são compatÃveis com um ou mais crimes, “reforçando a ideia de única organização criminosa, formada para ceifar vidas no municÃpio de Várzea Grande, tendo como suspeitos os envolvidosâ€, diz trecho do documento.
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Para os delegados das investigações, os executores são bem treinados e os crimes executados com extrema frieza e precisão, fortalecendo a tese de envolvimento de policiais, fato este que dificultava a prova testemunhal.
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Entre os casos citados como exemplo de crime sob encomenda está o homicÃdio do gerente de vendas Eduardo Rodrigo Beckert, 35 anos, ocorrido no centro de Várzea Grande, no dia 5 de abril, quando foi assassinado com disparos de pistolas 9 mm e 380.
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O homicÃdio foi encomendado por Fernando Marques Boadaid, em razão da vÃtima, que não tinha nenhuma passagem criminal, manter relacionamento amoroso com a esposa de Fernando, tido como mandante do crime, e que foi preso na operação. Â
Trabalho complexo
O secretário Rogers Jarbas foi enfático ao afirmar que as prisões não retratam a segurança pública. “Estamos falando de pessoas que se perderam no meio do caminho. Recebiam e matavam por qualquer tipo de crime: droga, roubo e crime passional. Hoje demos o pontapé inicial de uma investigação complexa e com muitos elementos.â€
Para o delegado-geral da PolÃcia Civil, a investigação que resultou na Operação Mercenários está entre as três mais relevantes dos últimos 15 anos.  “Considero que está atrás da Arca de Noé, que desmantelou o jogo do bicho no Estado, e da Sodoma, que prendeu ex-gestores do Estado”, avaliou.Â
O comandante geral da PM, Coronel Gley Alves, afirmou que que a corporação está “engajada no processo de prevenção e repressão ao crime”.
“É lamentável fazer prisões de PMs, mas são acusações gravÃssimas que recaem sobre os militares. A PM tem que estar empenhada para trabalhar em prol da sociedade. Sempre haverá punição para aqueles que destoam da missão de servir e protegerâ€.







