terça-feira, 16/04/2024
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EMPREENDEDOR TAMBÉM FRACASSA! ESCREVA UM CURRÍCULO DE FRACASSOS

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Por Marcos Hashimoto

                        A repercussão do meu último post nesta coluna me motivou a continuar explorando o tema, normalmente evitado por muitos especialistas. A maioria das pessoas já fez um currículo profissional para procurar um emprego ou se candidatar a uma vaga na atual empresa. Neste currículo você lista todas as suas realizações, conquistas, experiência e conhecimento reunidos ao longo da sua vida profissional que, com orgulho, você espera que te habilitem para a vaga ou emprego almejado.

                     No entanto, você já escreveu um currículo de fracassos? Em um currículo de fracassos você listaria todos os grandes erros que cometeu, decisões erradas que tomou, empreitadas nas quais se arrependeu de ter entrado, todas as chamadas ‘pisadas de bola’ que você deu com alguém ou com você mesmo.

Mas quem diabos se interessaria por esta lista de anti-realizações? Você mesmo, claro.

                           Em nossa cultura não somos educados para aprender com nossos erros, pelo contrário, queremos esquece-los. Temos medo de sermos mal interpretados quando sabem que cometemos um erro, queremos esconde-los, evitamos falar sobre eles, temos vergonha deles.

              No entanto, para o empreendedor, é no erro que ele comete que estão seus aprendizados mais ricos. O erro e fracasso, para o empreendedor, representam excelentes oportunidades para se conhecer melhor, aprender sobre os motivos de ter dado errado, familiarizar-se melhor com o ambiente e a situação, descobrir quem são as pessoas e como elas se comportam, lidar com a frustração, testar a determinação e a vontade e várias outras coisas que, de outra forma, o empreendedor dificilmente aprenderia.

                   Para o empreendedor, sobretudo aqueles focados em negócios de alto impacto, baseados em inovação, o erro faz parte do processo de desenvolvimento do negócio, são testes e experimentações que ele precisa tentar para conhecer o seu mercado, conhecer os concorrentes, dominar o setor que atua, aprimorar o produto, montar equipes, entre outras coisas. O conhecimento empírico, ou tácito, é construído por meio destas experimentações. Quanto mais inovador o produto, o mercado ou o modelo de negócio, maior o grau de incerteza e, consequentemente, é maior a probabilidade de alguma coisa dar errado. Errar faz parte do processo.

                    Porém, como nossa cultura é avessa ao erro e o fracasso, nós aprendemos a rotular as pessoas fracassadas, e o empreendedor brasileiro acaba não se arriscando pelo medo de errar. Estatísticas americanas indicam que um negócio bem sucedido quebrou em média três vezes antes de dar certo. No Brasil, se um empreendedor nascente quebra, ele logo desiste e volta para o emprego, diz que não serve para empreender e não assume o erro. Sempre dá uma desculpa que seja socialmente aceitável para não dizer que quebrou, joga a culpa no governo, na concorrência desleal, em funcionários ou sócios desonestos, nas condições macroeconômicas, etc. Quebrei! Qual o problema de dizer isso? Errei, cometi um engano, pisei na bola, fui despedido… temos que aprender a aceitar estas circunstancias, ou o aprendizado por trás da experiência negativa se perde.

                  Por isso, escreva um currículo de fracasso. Este exercício o ajudará a aceitar melhor seus erros como forma de aprendizado. Ao escrever, pense sempre em se orgulhar deles, pois em cada um houve uma importante lição. Por isso, para facilitar, junto com o erro, liste também a lição aprendida. Eis alguns exemplos:

                    – Trai a confiança do meu melhor amigo para não perder o emprego. Aprendi que se eu tenho uma boa rede de amigos fieis e confiáveis, o desemprego não deve representar uma ameaça e que devo ser fiel a meus princípios e valores pessoais.

                    – Enganei um cliente vendendo para ele algo que ele não precisava apenas para atingir minhas metas de vendas. Aprendi que toda ação tem uma reação. Se eu não quero que aconteça comigo, não posso fazer com ninguém.

                      – Deixei meu filho cavalgar sem estar na idade mínima. Ele caiu do cavalo e quebrou a perna. Aprendi que tudo tem uma idade certa e que as consequências podem ser desastrosas e talvez piores do que aconteceu.

                     Tome o cuidado de não colocar coisas que aconteceram com você de errado. Tragédias ou dificuldades que surgiram na sua vida independentemente de você, portanto, não são erros seus. Você deve tentar se lembrar de coisas que você, e mais ninguém, pode ser responsabilizado pelas consequências danosas. No começo vai ser difícil lembrar o que aconteceu, nossa memória tende a esquecer episódios desagradáveis que passamos na vida. Depois, ao lembrar, você vai querer filtrá-las e deixar de colocar algumas, mas lembre-se, este é um exercício pessoal, você não precisa mostrar para ninguém, serve apenas para fazer sua auto avaliação e aprimorar seu autoconhecimento, por isso, não tenha vergonha de colocar tudo, esqueça sua autoestima nesta hora e coloque tudo pra fora.

Depois, leia todos eles, reflita, pense no aprendizado, pense se poderia ter sido diferente e, acima de tudo, verifique se, depois do ocorrido, você se tornou uma pessoa mais madura e mais preparada. Se você chegar a esta conclusão no final, verá que aquele erro não só era inevitável naquele momento, como foi importante em sua trajetória de vida e a partir daí, seu medo de se arriscar será menos influenciado pela rejeição social e mais vinculado a seu desejo de construir algo importante.

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