
O erro foi descoberto durante uma consulta à Carteira de Trabalho Digital e levou a ex-servidora a procurar a Polícia Civil, o Ministério do Trabalho e a Seduc.
O que era para ser apenas uma consulta rotineira na Carteira de Trabalho Digital acabou se transformando em um episódio inusitado para a ex-servidora estadual Jesuete Nunes, de 57 anos. Ao acessar o documento pela primeira vez, ela descobriu que, desde 2017, aparecia registrada como presidente da República em um vínculo funcional com o governo de Mato Grosso.

O erro chamou a atenção porque, na época, Jesuete trabalhou como assessora administrativa na Superintendência da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), entre 2016 e 2017. No entanto, o sistema passou a indicar um cargo diferente do que a servidora atuava.
“Eu nunca tinha entrado na carteira digital. Quando vi aquele cargo, já era noite. Fiquei muito assustada, não consegui dormir. A primeira coisa que pensei foi que tinham invadido meus dados”, relatou em entrevista ao Portal Primeira Página.
Sem entender o que havia acontecido, ela procurou uma delegacia para registrar um boletim de ocorrência, acreditando ser vítima de um golpe ou invasão de dados. Durante o atendimento, porém, o policial acessou o sistema e constatou que o registro era oficial.
“Ele entrou para conferir e falou: ‘Não é hacker, está registrado mesmo. Você foi cadastrada com esse cargo’. Eu respondi que trabalhei no Estado, mas como assessora administrativa, nunca como presidente da República”, contou.
Com a documentação impressa, Jesuete foi orientada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a procurar o governo do Estado para regularizar a situação. Ela compareceu à Seduc, onde protocolou um requerimento solicitando a correção do cargo registrado.
O susto virou motivo de risada
Atualmente, Jesuete trabalha como assessora parlamentar na Câmara Municipal e não possui mais vínculo com o Governo de Mato Grosso. Depois do susto, a situação acabou rendendo brincadeiras entre familiares e amigos.
“Agora todo mundo me chama de ‘excelência’. Falam que moravam perto da presidente e nem sabiam, pedem uma casinha… Hoje a gente consegue rir, mas na hora foi um desespero”, finalizou.
Dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontam que o caso não é isolado. No fim de 2024, havia 19 vínculos empregatícios ativos registrados para os cargos de presidente e vice-presidente da República, com casos registrados em Pernambuco, Paraíba, Rio de Janeiro e Roraima.
Segundo o MTE, essas ocorrências são resultado de erros no preenchimento dos códigos de ocupação pelos próprios empregadores no antigo sistema da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social (GFIP), e não significam que os trabalhadores tenham efetivamente exercido essas funções.
A reportagem entrou em contato com a Seduc e a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) para comentar o caso, mas até o fechamento do texto não obteve resposta.







