terça-feira, 05/03/2024
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Rotulada de analfabeta faxineira passa em 4 concursos públicos

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Só Notícia Boa

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada/Foto: Alexandre Bastos/G1

A ex-faxineira em frente a ministério na Esplanada/Foto: Alexandre Bastos/G1

Pensaram que eu era analfabeta’.

Marinalva Luiz, ex-faxineira do STF mostrou que não era e ainda passou  em 4 concursos públicos, incluindo o próprio STF onde trabalhava.

E ela foi aprovada ainda no STJ – Superior Tribunal de Justiça, Ministério do Trabalho e MPU – Ministério Público da União..

Os Colegas insinuaram que ela havia comprado gabarito da prova, de 2008, quando aconteceu o concurso do Supremo Tribunal Federal.

O salário previsto era de R$ 3 mil – 500% a mais do que os R$ 500 que ela recebia mensalmente.

Marinalva foi a 29ª colocada e aguardou os quatro anos de validade do certame pela convocação.

Após cinco anos trabalhando como faxineira no Supremo Tribunal Federal, Marinalva Luiz achou que era uma brincadeira ver o próprio nome na lista de aprovados no concurso do órgão.

Preconceito

A mulher passou semanas mergulhada nos livros e anotações para a prova de técnico judiciário. O resultado também surpreendeu colegas, que chegaram a insinuar que ela havia comprado o gabarito.

“Minha família e amigos já sabiam que eu ia passar, pois eu estudava sem parar e só falava em concurso e mais concurso”, disse ao G1.

“Muita gente, infelizmente, não gostou da novidade. As pessoas ficaram em choque, não esperavam que uma moça que trabalhou na limpeza do tribunal tivesse conhecimento suficiente para passar, ainda mais que concorri com quem já tinha se formado em advocacia. O preconceito está enraizado na sociedade brasileira ainda.”

Leitura ajudou

Para ela, o fato de sempre ter apreciado literatura influenciou nas conquistas.

“Eu sempre gostei de ler. Lia desde gibi a Karl Max. Na minha casa tinha mais livros e revista do que em qualquer casa do meu bairro. As pessoas não entendiam por que eu e minha irmã líamos tanto. Hoje vejo que isso foi fundamental e um diferencial na minha vida.”

Ela também baixou conteúdos em sites e pedia ajuda de amigos da família que trabalhavam no Judiciário.

História

Nascida em Anápolis, cidade goiana a 160 quilômetros de Brasília, ela decidiu atuar na área de limpeza porque o salário era melhor do que o que recebia trabalhando em uma loja para noivas e como costureira.

“Duvidavam da minha capacidade porque eu era auxiliar de serviços gerais e, como tal, deveria ter muito pouco estudo. Não aceito que me julguem sem me conhecer”, afirma.

“O que me deixou impressionada foi pensarem que, por ter trabalhado na limpeza, era analfabeta ou coisa do gênero. Eu já tinha o ensino médio, trabalhava numa butique mas ganhava menos que na limpeza e trabalhava muito. No STF era muito melhor! Nunca me abati com isso, mas, realmente, inveja é uma coisa que te assusta.”

Marinalva diz que a família tinha pouco recursos, mas que nunca precisou parar de estudar.

“Nós eramos pobres, mas tínhamos tudo o que precisávamos. Livros, roupas, brinquedos; meus pais se esforçavam e nos davam. Mas, como todo mundo, você sempre quer mais, e eu queria morar numa casa com piscina, muita árvores, pois lembra muito a minha infância.”

Benefícios do novo posto

Segundo ela, a melhor vantagem do emprego no serviço público foi poder incluir a mãe como dependente no plano de saúde.

“Ela foi muito bem tratada nos melhores hospitais do Plano Piloto e Taguatinga, especialmente no Santa Marta e São Francisco, onde infelizmente, ela veio a falecer, há dois anos.”

 

Dicas
A mulher diz que, para a prova do STF, se preparou com o conteúdo de analista judiciário – com curso superior – e não para o de técnico. Assim, afirma, acumulava mais conhecimento.

Ela também conta que estava decidida a passar em concurso e que acha que a determinação contribuiu para o sucesso.

“A primeira dica é: decida onde você quer trabalhar. Eu só fiz concurso para o judiciário porque as matérias são as mesmas e somente o regimento interno que muda. Fiz do Ministério do Trabalho porque queria incentivar uma amiga a estudar e acabei fazendo a inscrição no último dia. Caí aqui de paraquedas”, ri.

“Segundo: estude por livros e sites, nunca compre apostilas. Além de resumidas demais, são caríssimas. Um exemplo: quando estudava ainda para o STF, já tinha tudo quanto era exercício feito. Uma amiga comprou uma apostila na banca de revista e fui dar uma olhada apenas nos exercicios sobre a legislação do tribunal.”

Marinalva afirma que os exercícios eram iguais aos que já tinha em casa.
 
A terceira dica dela é manter o foco. “Vi gente estudando ao mesmo tempo para bancos, tribunais, agências reguladoras, Metrô etc. Nossa!  Você acha que nosso cérebro armazena todo esse tipo de informação em curto prazo? São órgãos diferentes, as matérias às vezes também são.”
 
Inspiração

Ela conta se sentir feliz ao ver que outras pessoas ficam motivadas ao estudar quando conhecem a história dela. Para ela, a principal lição com a própria experiência foi ver que todo mundo é capaz.

Com informações do G1

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