sábado, 02/03/2024
Banner animado
InícioNotíciasJustiça e Você8 de Janeiro, a data do nada a comemorar

8 de Janeiro, a data do nada a comemorar

Banner animado
Manifestantes invadem Congresso, STF e Palácio do Planalto. /divulgação

8 de Janeiro, a data do nada a comemorar…

Ao excluir do decreto presidencial de indulto natalino os presos e processados de 8 de janeiro, Lula perdeu a grande oportunidade de pacificar o País e, de quebra, promover-se como um governante humano. Ignorou que a quase totalidade dos detidos por estarem acampados na frente dos quartéis não passa de incautos insuflados na esteira da polarização política, que cometeram a besteira de ir pedir a intervenção militar, mas em momento algum chegaram a trazer dano ao País e às instituições, já que os fardados não atenderam seu pedido.

O simples fato de terem perdido tempo nos acampamentos e manifestações e visto a posse do governo que contestavam já foi um castigo e desencorajamento a repetir a rebeldia. Salve melhor juízo, como cidadãos comuns, poderiam ou até deveriam ser processados e julgados em primeira instância, não pelo Supremo Tribunal Federal, que, pela lei, só julga diretamente governantes, ministros, parlamentares e outros detentores de foro especial. Submeter  aqueles mais de mil homens e mulheres – boa parte da terceira idade – ao tacão e rigor da corte suprema, soa exagerado e não leva a nada. Melhor teria sido o julgamento pelo juiz singular, no domicílio do réu, a tramitação dos possíveis recursos em segunda instância e a chegada ao STF só dos recursos mais complexos.
Em 1956, Juscelino Kubitschek sofreu a rebelião de militares que queriam impedir sua posse. Teve forças para vencer e, para pacificar o País, anistiou os revoltosos. Cumpriu todo o seu mandato, de cinco anos,  e teve forças para realizar a polêmica construção de Brasilia e fazer um governo voltado ao desenvolvimento. Saiu com o prestígio e o compromisso de voltar a candidatar-se, o que só não aconteceu em razão dos acontecimentos que levaram os militares a assumir o poder em 1964.
O agravo de 8 de janeiro de 2023 foi o inaceitável quebra-quebra das sedes dos três poderes (Presidência da República, Congresso Nacional e STF). Além da punição aplicada ao governador do Distrito Federal e à cúpula de sua polícia, deveriam ter sido  chamados às falas os responsáveis pela guarda dos edifícios depredados. A invasão só ocorreu porque os invasores encontraram caminho aberto e, mais que isso, foram até escoltados rumo à Praça dos Três Poderes.
Outro engano será promover comemorações – oficiais ou oficiosas em 8 de janeiro próximo. Primeiro porque não  haverá o que comemorar, já que o golpe almejado pelos acampados nunca passou pela cabeça dos militares (os únicos capazes de desfechá-lo) e as instituições não estiveram sob risco.

O ideal seria esquecer a data e aprimorar as apurações  exclusivamente sobre quem efetivamente depredou ou organizou o movimento, nunca o seu romantico participante que pensou poder derrubar um governo regularmente eleito munido apenas de algumas pedras nas mãos. Mas uma coisa é verdade: ainda está em tempo de chamar à resp onsabilidade os que se omitiram na proteção aos imóveis sinistrados e, com isso, ensejaram sua ocupação.
O presidente Lula, com sua vigorosa história política, não deveria ignorar os exemplos de Kubitschek (1956) e Nelson Mandela – a quem o líder do governo no Senado, Jacques Wagner, disse que o presidente admira e tem como exemplo). Depois de 30 anos na cadeia, Mandela foi liberto, fez-se presidente e perdoou seus algozes, pacificando a África do Sul.

Pensando nas próprias feridas e na forma com que foi reabilitado, nosso presidente poderia ser mais sensível e, também buscar a paz, tão necessária ao Brasil contemporâneo; jamais apoiar ou promover o confronto que os interesseiros provavelmente lhe aconselham. Isso firmaria sua imagem de est adista…  

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 
aspomilpm@terra.com.br                                                                                            &     

ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!
- Anúncio -
Banner animado

MAIS LIDAS

Comentários Recentes