
A recente decisão da Justiça Federal provocou revolta e medo — entre produtores rurais da região de Castelo de Sonhos, no sudoeste do Pará. Após um recuo parcial em entendimento anterior, foi autorizada novamente a atuação de fiscalização e apreensão de semoventes, como gado, por parte do ICMBio na Flona Jamanxim.
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Redação Folha de Colider
A medida reacende um cenário de insegurança e tensão que há anos marca a região, abrangendo também áreas de Castelo de Sonhos, Altamira e Novo Progresso. Produtores relatam medo constante de perderem seus rebanhos — muitas vezes fruto de décadas de trabalho — em operações de fiscalização ambiental que, segundo eles, nem sempre consideram a realidade fundiária local.
A Flona Jamanxim, criada com o objetivo de preservar o meio ambiente e promover o uso sustentável dos recursos naturais, é historicamente palco de conflitos entre órgãos ambientais e produtores rurais. Isso porque parte significativa da área é ocupada por famílias e trabalhadores que alegam estar na região antes mesmo da criação da unidade de conservação ou que aguardam há anos a regularização fundiária.
Com a retomada das apreensões, cresce o clima de apreensão. Representantes do setor produtivo afirmam que a decisão traz prejuízos econômicos imediatos e afeta diretamente a subsistência de inúmeras famílias, além de impactar a cadeia produtiva da pecuária na região, uma das principais atividades econômicas locais.
Por outro lado, o ICMBio sustenta que as ações são fundamentais para combater o desmatamento ilegal e garantir a proteção ambiental, especialmente em uma área considerada estratégica para a conservação da Amazônia.
Especialistas apontam que o impasse evidencia um problema mais amplo: a ausência de soluções definitivas para a regularização fundiária e a conciliação entre produção e preservação ambiental. Enquanto isso, produtores seguem vivendo sob incerteza, divididos entre a necessidade de trabalhar e o receio constante de novas operações.
A decisão judicial, ao mesmo tempo em que reforça a atuação ambiental, escancara a fragilidade de um equilíbrio ainda distante — deixando, mais uma vez, produtores sem sossego e uma região inteira à espera de respostas mais claras e duradouras.
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